sexta-feira, março 31, 2006

Nem tudo o que luz...

Numa primeira análise às sessões de propaganda do governo, pode-se dizer que a aplicação das medidas apresentadas por Sócrates PRACE SIMPLEX, mas não é. Aguardemos resultados práticos. Ter deixado cair o fim dos Governos Civis é um mau começo.

Quotas

Esta é a Cátia. Mede um metro e noventa, calça o 44 e sonha ser deputada. Quando ouviu falar nas quotas, Cátia exultou. O problema é que, no BI, Cátia é João. E agora, engº Sócrates, se for aceite nalguma lista, Cátia contará para os 33,3% da quota, ou não?
Se calhar, o melhor é criar, dentro da quota das mulheres, uma sub-quota transexual. Depois, dentro da sub-quota transexual, uma sub-sub-quota para as transexuais de côr. E por aí fora, ad infinitum, ad nauseam, até à paridade final.

quinta-feira, março 30, 2006

Paridade


"Olhe, desculpe, ó senhor, já preencheram a quotazinha lá do seu partido, já? Ahhhhhh.....tá bem... é que eu queria tanto ser deputado...ahn....deputada! Vai ver? É um querido!"

quarta-feira, março 29, 2006

Acto de simpatia


Moro perto de um pequeno Centro Comercial no centro de Lisboa. Lá dentro há 4 sítios onde se pode tomar café. O maior, onde também há boa pastelaria, um outro mais estilizado, para as “tias” beberem um café fashion, um mais industrial, a acompanhar o almoço rápido e o quarto, onde o café é mais barato e abunda o cheiro a fritos.

É esse, o último, que me interessa. Não porque seja o que mais frequento mas porque sempre fui bem atendido. Não que me tratem mal nos outros cafés, nada disso! Mas aqui têm um pequenino pormenor: quando eu levava o pequeno gnomo ao colo e passava por lá para tomar uma bica rápida, eles perguntavam-me se eu queria ou não o açúcar todo, deitavam-no na chávena... e ainda a mexiam! É verdade que pode ser deprimente saudar assim um acto tão simples de simpatia. A questão é que pode ser simples, mas é tão rara esta preocupação com os outros, que é sempre de enaltecer. Um bem-haja!

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terça-feira, março 28, 2006

Apostolado


Já cá devia estar há muito tempo o link para este E Deus criou a mulher. Mais vale tarde que nunca, diz-se. É uma questão de fé. Para os incréus, fica esta milagrosa Monica Bellucci, numa foto despudoradamente roubada a esse santo blogue, que agora celebra um ano de vida. Amen.

segunda-feira, março 27, 2006

V de Vingança

Este foi fim-de-semana de V de Vingança (V for Vendetta), a adaptação ao cinema da banda desenhada de Alan Moore e David Lloyd (mais aqui, na Wikipedia).
Numa Inglaterra futurista, o povo vive entorpecido por um poder totalitário, que ascendeu ao poder impulsinado por "premências securitárias", nascidas da necessidade de protecção contra a ameaça terrorista. Tudo está ao serviço da ditadura, desde as polícias, mais ou menos secretas, até aos Media. Nada de estranho, até aqui.
Até que um mascarado (V.), um poeta anarquista, vítima anónima do "regime", começa a libertar a sociedade do medo. Pelo caminho, conduz Evey (a actriz israelita Natalie Portman, gira que ela é) à descoberta do inner self.
Resumido desta forma, o argumento pode soar fatela. E se calhar, até é um bocadinho. Mas as questões que suscita não podiam ser mais actuais. Graficamente, o filme é um regalo. A banda desenhada ganha nova vida nas telas do cinema. Com produção dos irmãos Wachowski (Matrix), V de Vingança é realizado por James McTeigue e, para além de Natalie Portman, conta no elenco com Hugo Weaving, Stephen Rea e John Hurt. Vejam, que vale a pena.

domingo, março 26, 2006

Tráfico de armas

Está a ser investigada e desmontada, em Portugal, uma vasta rede de tráfico de armas que envolve elementos da PSP e diversos armeiros licenciados, entre outros. O rigoroso controlo de quem tem acesso a armas e ao seu porte é, na minha opinião, uma questão muito importante. Há muita gente sem responsabilidade, inteligência ou respeito pelos outros com armas na mão, e isso não pode acontecer.
Vou contar uma história que se passou comigo:
Certo dia, no trânsito de Lisboa, estava a sair de uma rotunda. Do lado interior da rotunda, muito rapidamente e sem pisca a sinalizar a manobra, vem outro carro que me obriga, para evitar o acidente, a raspar com o meu naqueles postezinhos que hoje em dia protegem alguns dos passeios de Lisboa da voragem automóvel. O energúmeno não trava, não pára e segue o seu caminho. Decido seguir atrás dele. Por sorte (ou azar, já que desistiria da perseguição rapidamente), estaciona pouco depois. Encosto o meu carro, espero que ele - acompanhado de duas mulheres - saia do dele e abordo-o:
- "O senhor viu o que fez ali atrás na rotunda?"
- "O que é que tu queres, caralho?"
- "O senhor, além de não respeitar as regras do trânsito e os outros condutores, é malcriado. Obrigou-me a raspar nos pilaretes da rotunda e agora vai esperar aqui comigo, porque vou chamar a polícia..."
- "Vai pró caralho, filho da puta do caralho..."
E alça da mão para me enfiar um soco. Tenta uma, duas, três, quatro vezes. A minha reacção, serena - influência das artes marciais que pratiquei? - é simplesmente esquivar-me das tentativas de golpe. Tentativa de murro à direita, corpo para a esquerda, e assim se dão uma série de murros no ar. Irritado, o homem regressa ao carro, enquanto eu chamo a polícia pelo telemóvel. O homem regressa.
- "O que é que estás a fazer, filho da puta? Larga já essa merda." E, acto contínuo, aponta-me uma pistola à cabeça. Gelei. Ainda não sei bem como, mas consegui pensar, calmamente, que não ia levar um tiro por causa de um problema de trânsito. O homem, que já tinha idade para ter juízo (andaria pelos altos quarenta), com a arma na mão, ainda tenta agredir-me mais duas ou três vezes, sem sucesso. Irritado, frustrado, vai-se embora. Volto a ligar à polícia, que demora. Quando chega, ao contar o sucedido, procedemos a uma busca pelas imediações, à procura do homem. Nada. Testemunhas oferecem-se para confirmar o que viram. A polícia fica com a matrícula do carro do homem. Dizem-me que tenho de passar pela esquadra para formalizar a queixa. Nunca o fiz e de vez em quando arrependo-me.
A questão é esta: como é possível um homem daqueles ter na sua posse uma arma?
Desmantelem-se as redes de tráfico. Apreendam-se as armas ilegais. Punam-se exemplarmente os traficantes e, também, os compradores. Portugal ficará, certamente, mais seguro.

Caderno II: O Sector da Saúde


A opinião dos portugueses sobre o Serviço Nacional de Saúde é muito negativa.
Li, não me lembro onde, que esta verdade axiomática se aplica mais a quem menos conhece o SNS. Para quem lida com alguma frequência com esse Serviço, a opinião é, habitualmente, positiva.

Há uns meses atrás fui ao Centro de Saúde do meu bairro. Mais uma vez, saí de lá bem impressionado com a qualidade das instalações, a simpatia do atendimento, a eficiência do serviço.

Das minhas idas (esporádicas) a hospitais do SNS guardo também uma impressão genericamente positiva. Haverá uma excepção ou outra, naturalmente, mas não o suficiente para estragar o retrato global.
Acredito que o meu caso não constitua exemplo representativo. Mas no entanto ajuda-me a formular a minha opinião.
É verdade que há muito desperdício, pouca racionalidade na gestão dos recursos, maus exemplos. Entendo que a solução passa por continuar a profissionalizar e a responsabilizar gestores de hospitais, não necessariamente médicos, que contribuam para racionalizar os serviços.
Fala-se negativamente do aumento das taxas moderadoras. As taxas têm um peso ínfimo nas receitas da Saúde. O seu objectivo primordial é inibir as pessoas de acederem aos serviços de urgências hospitalares sem um bom motivo. O aumento visa portanto reduzir custos e não aumentar receitas. Mas ao mesmo tempo melhorar a qualidade do serviço.
O aspecto mais negativo do Sector da Saúde, para mim, é o das Farmácias. Considero vergonhoso que ainda se obrigue a que o proprietário de uma Farmácia tenha uma licenciatura em Farmácia. Que regra medieval! Considero uma aberração que as farmácias sejam chamadas a opinar sobre a abertura de uma nova farmácia concorrente na sua zona. Que proteccionismo caduco!
Felizmente os tempos estão a mudar e este condicionalismo corporativo está a acabar. A venda de alguns medicamentos em estabelecimentos comerciais que não Farmácias é uma novidade a saudar, e que tende a terminar com um monopólio (enfim, oligopólio, melhor dizendo...) estuporado.

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No Smoking


O acto de fumar é, por natureza, invasivo. Mexe com os outros, invade-lhes o espaço. Faz perder a cabeça aos puritanos da saúde, para quem os fumadores são uma raça a exterminar.

Pessoalmente julgo que o carácter invasivo do fumo está sobre-estimado. Considero-me mais invadido no meu espaço pessoal por alguém ao meu lado a assobiar no trabalho, ou a cantar o “Feelings”, ou a passar o dia a chamar “Amor” e “Amorzinho” para um telefone por tudo e por nada. “Almoçaste bem, amorzinho?”. “A reunião correu bem, amor?”. “Cagaste bem, môr?”.
É que se alguém fuma um cigarro ao meu lado, 5 ou 10 minutos depois já não dou pelo cheiro. Mas desde há uns 15 dias que, sempre que me apanho debaixo de um chuveiro, dou por mim a cantar o “Feelings”!

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Smoking


Deixei de fumar há mais de um ano.
Desde que tomei essa decisão que compreendo melhor a cruzada dos anti-tabagistas. Não por me ter transformado num deles mas porque de facto me sinto por vezes incomodado com o cheiro de cigarros, cigarrilhas e charutos. De vez em quando fumo um cigarrinho e noto imediatamente o cheiro pós-cigarro, coisa que não sucedia antes. E convenhamos: é um cheiro asqueroso!
Curiosamente não me acontece o mesmo com o fumo. Continuo a gostar do cheiro do fumo, de alguém a fumar um cigarro ao pé de mim. Cigarrilhas e charutos não...
Os Alcoólicos Anónimos dizem que não existem ex-alcoólicos. Eu defendo que a generalidade dos ex-fumadores continua a ser tentado por uma boa cigarrada e apenas com um certo auto-controlo não regressam ao antigo vício.
Se é uma doença? Não sei. Julgo que não. Mas estabeleço o paralelo com o alcoolismo e com a tóxico-dependência (salvaguardando as devidas distâncias, obviamente). São doenças? Enfim, não sei. Serão uma deficiência de carácter? Experimentar muita gente experimenta. Ficar agarrado é uma demonstração de uma enorme falta de bom-senso, inteligência, o que seja. Amor-próprio? O tabagismo não é tão grave assim. Mas sei que fumar não é, de certeza, um acto racional...

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sexta-feira, março 24, 2006

JPP

José Pacheco Pereira evoluiu de "uma terra sem amos" para "uma terra sem acentos". Continua um internacionalista...

Umbigo

Conseguimos, nas últimas postas, não falar de OPA's, de manifestações em França, do congresso do PSD e do impasse no CDS, da situação fiscal do senhor Carrapatoso, do facto de, depois dos eslovenos, termos sido ultrapassados, no PIB per capita, pelos checos, da mesa dos encontros entre Cavaco e Sócrates, dos beijinhos deste último a Fátima Felgueiras...
No dia mundial da poesia, não postámos um poema, antes demos nota de termos lido prosa.
Falámos, isso sim, de cinema, de teatro, da pintura de Rafael, de humoristas, do artista Artur Gonçalves, da busca de festas de hedonismo erótico, de medalhas portuguesas no atletismo, da expansão muçulmana...
Decididamente, nos últimos tempos, temos andado muito off stream. Não é mau. Nem é bom. É assim.
PS: Oh Rantas, andas em greve de zelo?

quarta-feira, março 22, 2006

Um quadro de Rafael

São Jorge, de Rafael, óleo sobre madeira, 1505
National Gallery of Art, Washington
À atenção de S. Moutinho, S. Liedson, S. Tonel, S. Ricardo,
S. Paulo (o Bento), et al.

Dia Mundial da Poesia


Ontem, 21 de Março, celebrou-se um pouco por todo o lado o Dia Mundial da Poesia. Li prosa.

segunda-feira, março 20, 2006

A expansão muçulmana

Aos 53 anos Maomé casou-se com Aixa, que tinha 9. Aixa era filha de Abu Bakr. Fátima, filha de Maomé, casou-se com Ali.

Depois da morte de Maomé, Abu Bakr foi eleito califa. Depois da sua morte, dois anos depois, foi eleito Omar, outro genro de Maomé. Ali concordou com estas duas eleições. No entanto, mais tarde zangou-se e dessa zanga familiar surgiu a divisão entre sunitas e xiitas – sendo que estes últimos eram (e são) seguidores de Ali, também chamados de Fatímidas (por causa da filha do profeta).

Sob o Califa Omar, o Islão expandiu-se abruptamente: Síria bizantina e o Iraque em 636, o Egipto em 641, a Pérsia em 642! Esta conquista rapidíssima explica-se pela fraqueza dos dois grandes poderes da zona, o império bizantino e os Persas, que se tinham esgotado mutuamente em guerras entre si.. Em 614 a relíquia da verdadeira cruz tinha sido mesmo levada para a Pérsia.. Em 630, a cruz regressou a Jerusalém (graças ao imperador Heráclio).
Continuação da expansão:
Em 714: Ásia Central, Norte da Índia, Espanha Visigoda.
Em 846, pilhagem da basílica de S. Pedro (Vaticano) pelos muçulmanos.
Em 878, a Sicília.
Fim séc X – 3 califados: Abássidas (Bagdad), Fatímidas (Cairo, Damasco) e Omíadas (Córdoba).
A conquista muçulmana foi bem aceite tantos pelos Judeus, que apreciavam mais a tolerância muçulmana do que a perseguição que os Cristãos lhes moviam, como pelos Cristãos monofisitas, que rejeitavam a doutrina ortodoxa relativa à natureza dual de Cristo e, por isso, eram perseguidos como hereges.
Os peregrinos cristãos tinham acesso a Jerusalém. A Igreja do Santo Sepulcro continuou sob controlo cristão.
O omíada Abd Al-Malik mandou construir uma segunda mesquita em Jerusalém, sobre a rocha onde Abraão ia sacrificar Isaac e a partir da qual Maomé teria subido ao céu. Essa segunda mesquita constitui uma maravilha arquitectónica. Tem a seguinte inscrição:
«Ó Vós, Povo do Livro, não ultrapasseis as fronteiras de vossa religião, e de Deus dizei somente a verdade. O Messias, Jesus, filho de Maria, é apenas um apóstolo de Deus, e de Sua palavra, que Ele transmitiu a Maria, e de um espírito que dele se originou. Acreditai, portanto, em Deus e seus apóstolos, e não digais três. Será melhor para vós. Deus é apenas um Deus. Que esteja longe de Sua glória ter um filho».
Para além do apoio dos Judeus e de alguns "hereges", para a rápida expansão muçulmana também ajudou as divergências entre Cristãos orientais / ocidentais. Uns dedicavam-se à veneração imagens, os outros tornaram-se iconoclastas. O drama agravou-se e desembocou na divisão do Cristianismo nos ramos grego e latino – em 1054, excomungaram-se mutuamente.


Em 1071, os Seljúcidas (povo da Ásia Central, já muçulmano), sob o Sultão Alp Arslan, praticamente desbarataram os Bizantinos na batalha de Manzikert. Os Bizantinos estavam empenhados em 2 frentes: os referidos Seljúcidas na Anatólia e os Normandos da Sicília, sob Roberto Guiscard, a atacarem Bari, o último baluarte Bizantino em Itália.
A derrota de Manzikert foi um dos principais motivos para que Urbano II convocasse a primeira cruzada para 'libertar Jerusalém'. Pelo caminho, a ideia era aligeirar a pressão que se abatia sobre Constantinopla.

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domingo, março 19, 2006

Herman José

Herman José, o loiro mais falso de Portugal, faz hoje 52 anos.
Com o passar dos anos, o genial humorista de "O Tal Canal" ou "Hermanias" foi dando lugar a um horrível apresentador de programas de variedades, onde se tornou, provavelmente, no pior entrevistador da história da TV nacional - gosta mais de se ouvir a sí próprio do que aos entrevistados, interrompendo-os amiúde. Sei bem que, neste aspecto, ele não é original, mas o caso dele é de especial melindre: muitas vezes os entrevistados até vão embalados numa boa história quando Herman os interrompe para, por exemplo, dar nota de que comprou um Rolex novo, que logo exibe.
Além disso, Herman pode hoje ser considerado o verdadeiro bardo (no sentido "asterixiano" do termo) da nação. Alguém, mefistofélico, lhe terá dito que ele tinha jeito para cantar. Infelizmente, não há agora nenhuma alma caridosa que o amordace.
Na SIC, a esta hora, uma série de socialites, gente do show business tuga e a trupe habitual do artista estão em sessão de beija-mão.
Aos 52 anos, Herman enriqueceu, perdeu a graça toda e tornou-se, mais a sua cabeleira amarela, insuportável. É uma pena. Tanta piada que eu lhe achava. Agora? Agora, escusava de celebrar a decadência em público. Uma vez que o faz, quero dizer que já não consigo vê-lo ou ouvi-lo. Por isso, parabéns e vai-te embora, Herman. Experimenta a Alemanha. Lá, os programas de TV muito bimbos têm ainda mais sucesso do que neste rincón. E a malta é toda loira de olhos azuis. Como tu gostas.

sexta-feira, março 17, 2006

Avalanche

Fui ao Teatro Villaret ver "Avalanche", uma peça escrita por Ana Bola com bons momentos de humor, que porporcionaram algumas gargalhadas e vários sorrisos. Os "tipos" estão bem apanhados, sobretudo a produtora de moda "fashion victim" Vera Cruz (Ana Bola) e o seu constante "name dropping" e o comandante da aeronáutica presunçoso Alexandre de Noronha (Miguel Guilherme) mais o seu co-piloto lambe-botas Pepe Andrade (Bruno Nogueira).

Como já disse, a peça tem alguns momentos bem esgalhados, mas o texto resvala por vezes para o humor fácil.

Quanto às interpretações, estamos perante actores que o público e a TV consagraram, o que é sempre meio caminho andado para o sucesso (de bilheteira, pelo menos). Mas Miguel Guilherme é mesmo um excelente actor cómico. Impagável, a cena em que dança a la "Zorba". Anthony Queen não desdenharia. Maria Vieira vai sempre muito bem a fazer de Maria Vieira, e o over acting habitual de Maria Rueff raramente tem pouca piada. Bruno Nogueira é o mais "tenrinho" de todos, mas a sua triste figura (assim ao jeito de esparguete) suscita logo uns sorrisos. Para terminar, Ana Bola. É, de todos, a que melhor domina as técnicas, tem a melhor colocação de voz e tem uma graça natural. Eu, pessoalmente, sou fã de Ana Bola. Talvez por isso, estava à espera de um pouco mais desta peça. Saí bem disposto do Villaret, mas não "desbundei"...

Um pormenor: porque será que, num fenómeno relativamente recente, em todas as peças que vou vendo, o público acaba sempre, quase todo, a aplaudir de pé? Juro até que cheguei a ouvir dois ou três "Bravo"... Será moda? Chuva não é certamente...

quinta-feira, março 16, 2006

Festa de hedonismo erótico


Através de uma busca no google, chegou aqui ao RdM uma visita do Brasil à procura de "festa de hedonismo erótico".
O máximo que podemos oferecer, cara visita, é escrita hedonista. Je suis désolé.

Vamos dar caça à PIDE

É mesmo verdade. Seguindo a pista deixada pelo Varanda (obrigado) nos comentários ao post anterior, descobri no e-Bay mais esta pérola do Artur Gonçalves, "Vamos dar caça à PIDE". A capa não podia ser melhor. Reparem no ar persecutório e heróico do rapaz. E no canhangulo com que obriga três bufos a encostarem-se ao tapume. É mesmo de génio. Será possível que este grande artista nunca tenho ido ao programa do senhor Júlio Isidro? E o que será feito de Artur Gonçalves? Ainda vestirá de branco?

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terça-feira, março 14, 2006

Não passes mais com ele na Musgueira


Não sei quem foi Artur Gonçalves. Mas sei que ele foi, seguramente, um génio. Porque só mesmo um génio se poderia lembrar desta capa e do título "Não passes mais com ele na Musgueira" para um disco. Fico a imaginar o resto da letra da canção. Fabuloso.
PS: esta imagem chegou-me por e-mail (obrigado, R.), pelo que lhe desconheço a origem.

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Glória Mundial


Mais uma glória mundial, conquistada para Portugal por uma atleta do Sporting. Naide Gomes conquistou a medalha de bronze do salto em comprimento, no mundial de pista coberta disputado em Moscovo, batendo por três vezes o seu próprio recorde nacional.

Naide é uma enorme atleta. É muito bonita. É do Sporting. E prestigia Portugal.

segunda-feira, março 13, 2006

Match Point



Já muito se escreveu sobre Match Point. Como só vi o filme há pouco tempo, a única coisa que queria acrescentar é que esta fita tem a vantagem de ser um filme de Woody Allen, mas sem Woody Allen a fazer de Woody Allen. Muito bom.

sábado, março 11, 2006

Estranhos Prazeres


Há uns anos atrás, quando comprei o meu primeiro leitor de vídeo (primeiro e último, já que o DVD rapidamente ocupou o espaço do VHS), uma amiga recomendou-me que estreasse o aparelho com o filme "Estranhos Prazeres". Disse-lhe logo que o meu vídeo não era para passar essas "porcarias", mas afinal ela não se referia a um XXX.
Trata-se de uma história estranha, passada no futuro, onde o avanço da tecnologia permite, mediante a colocação duns fios (do género de um electroencefalograma), experimentar as reacções e as sensações de outrém.
No filme pontifica Juliette Lewis, numa grande interpretação. Ficou-me na memória. Pode ser estranho, mas ver este filme foi um prazer...

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Cristo vs. Maomé

COMPARAÇÃO ECUMÉNICA
Atitude
Amor e não-violência vs. espada
Mansos e pobres de espírito vs. exaltação do guerreiro vitorioso
“O meu reino não é deste mundo” vs. império teocrático
Carregar a cruz e aceitar o sofrimento vs. pilhagens, concubinas e escravos
Família
Monogamia (ou celibato) vs. até 4 esposas além de todas as concubinas que se possa
Jesus rescindiu a Lei de Moisés e proibiu o divórcio. Maomé permitiu o divórcio, bastando para isso uma simples declaração (já não me lembro em que país asiático um homem declarou o seu divórcio através de um SMS, há uns anos).
Jesus celibatário vs. Maomé com 9 esposas e uma porrada de concubinas (Maomé gabava-se de conseguir satisfazer todas as suas mulheres numa única noite – e quantas mais aparecessem!)

Tanto Cristo como Maomé cultivaram as virtudes da honestidade e da frugalidade.

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Cada cavadela, sua minhoca

Isto pode até parecer pessoal, mas garanto-vos que não é. Aliás, para que não haja confusões, informo que não sou do PP (nem de qualquer outro partido, para o que interesse).
Mas a questão é que, de cada vez que o senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Professor Doutor (por extenso) Diogo Freitas do Amaral abre a boca, fica-me sempre a ideia de que o homem é presunçoso, arrogante, pesporrento, licencioso e dono de enorme topete (ah, como sabe bem).
O MNE entendeu agora classificar milhões de portugueses - os que dele discordaram - como ignorantes.
Eu, que ainda andava de cueiros quando o homem era o delfim de Marcello Caetano, discordo da posição que ele assumiu, em nome dos portugueses, relativamente às caricaturas de Maomé. O que não sabia era que isso fazia de mim um ignorante. Posso até sê-lo, mas asseguro que conheço o significado das palavras "compreender" e "condenar".
Recordo-me de, nos primeiros anos de faculdade, ter que ler os manuais de Direito Administrativo do Professor Doutor. Eram bibliografia adicional, já que a matéria essencial estava contida numas "sebentas" escritas de forma densa e, muitas vezes, quase indecifrável, por Rogério Soares. Na altura, pela diferença de densidade, fiquei com a ideia de que o manual de Freitas era escrito para "meninos" que padecessem de relativa iliteracia (não que defenda o estilo exageradamente rebuscado e burilado de Rogério Soares).
(Também li o manual do próprio Marcello Caetano e dou-vos a minha opinião: há uma enorme diferença qualitativa, em termos científicos, pedagógicos e mesmo de português, entre o Mestre e o aprendiz - com prejuízo para este último, entenda-se).
Aparentemente, o professor continua a entender que explica o inatingível a mentecaptos. E eu acho, cada vez mais, que ele não tem cultura democrática nem condições para se manter no cargo.

O fim do Espectro

O Espectro, blogue de Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente, acabou. Teve uma existência meteórica de cerca de dois meses, suficiente, no entanto, para destronar o Abrupto de Pacheco Pereira da liderança nas audiências da blogosfera. Já não era sem tempo. VPV e CCS, com a missão cumprida, vão agora à vida deles. Obrigado e voltem sempre.

sexta-feira, março 10, 2006

Muito à frente...

Já passaram 40 anos desde que se começaram a realizar os primeiros estudos para encontrar uma alternativa ao aeroporto da Portela. Volvidos esses 40 anos, a melhor solução encontrada foi, aparentemente, a Ota.
Apresentada como facto consumado, a construção do aeroporto da Ota estará concluída, na melhor das hipótese, daqui a 10 anos, com custos 50% por cento superiores ao que seria considerado normal para uma infraestrutura semelhante em condições normais (sem necessidade de grandes movimentos de terras e de fundações especiais que evitem o alagamento das pistas, situadas em leito de cheias). Depois, como não é possível expandir a capacidade inicial da Ota, esta estará esgotada num prazo máximo de uns escassos 30 anos.
Façamos contas: 10 anos para a construção + 30 anos até a capacidade estar esgotada = 40 anos. O mesmo tempo que levou a encontrar, como alternativa à Portela, a péssima solução da Ota.
Construa então, José Sócrates, o aeroporto da Ota. Mas o melhor é começarmos já a discutir a localização da alternativa que, obrigatoriamente, terá que estar pronta daqui a 40 anos.

quinta-feira, março 09, 2006

Leica foto



(Clique na imagem para ampliar)

Esta é, até à data, a minha foto favorita desta série. Fotografei esta fabulosa imagem em Alcochete, no último fim-de-semana.

terça-feira, março 07, 2006

Olhá crise fresquinha II...

Depois da banca, eis mais duas empresas a apresentarem resultados que constituem máximos históricos: PT e EDP, que lucraram 654 e 1.071 milhões de euros em 2005, respectivamente. Isto enquanto temos das tarifas eléctricas, custos das chamadas telefónicas, ligações de internet e "pacotes" de TV Cabo dos mais caros da Europa (já para não falar da "insultuosa" assinatura mensal da PT, que ainda subsiste).
Mais uma vez esclareço que nada tenho contra os lucros das empresas, bem pelo contrário, mas...crise? Qual crise?

O que está verdadeiramente em jogo

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segunda-feira, março 06, 2006

Oscar


Rachel Weisz

domingo, março 05, 2006

Caderno I: O Sector da Justiça




O sector da Justiça é o que presentemente me causa maior apreensão. É lenta, é burocrática, é preguiçosa, é inoperante. Mas, acima de tudo, passa uma imagem de desgoverno completo.
O bom-senso abandonou o sector da Justiça!
Quatro exemplos, mais ou menos recentes:
- O processo 'Casa Pia' revela que o segredo de justiça dá boas manchetes. As 'fontes geralmente bem informadas' que alimentam os jornalistas são criminosos deixados impunes. E são agentes da justiça.
- O episódio do 'envelope 9' desmascara processos de investigação sem ética, descredibiliza instituições (põe em xeque o próprio Presidente da República!), põe em causa a liberdade de imprensa (a busca ao '24 Horas' e a sequência de episódios posteriores é absolutamente inacreditável).
- Ainda a 'Casa Pia': Depois de tanta coisa, o advogado do Bibi monta um 'incidente de recusa' da juiza. Isso pode provocar o falhanço de todo o processo, por prescrição. Bom advogado, péssima lei que permite estas utilizações manhosas. Será que em Portugal ninguém sabe fazer boas leis, só as sabem tornear?!
- O Tribunal Constitucional considera que o artº 175 do Código Civil, por distinguir abuso homossexual de menor de abuso heterossexual de menor, discrimina com base na orientação sexual e é, portanto, inconstitucional. O Grupo Parlamentar de 'Os Verdes' apressa-se a apresentar uma lei que altere essa situação, tornando as duas situações equiparadas. Que bonito! Que enternecedor que é vê-los nessa lufa-lufa, só para tornar a nossa lei numa coisa moderna. Que revele a mais completa falta de bom-senso, senso comum, inteligência, não é importante. O que é importante não é defender a vítima da violação, é sim defender o agressor. Bom trabalho!
A nossa Justiça é tão avançada, tão avançada, tão avançada, que tem mecanismos que impedem... que se faça Justiça! Um bocadinho de bom-senso não lhes fazia mal nenhum...

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E depois de Abraão, Moisés, Jesus... Maomé!


Os descendentes de Ismael (o filho mais velho de Abraão) viviam no deserto adorando estrelas, ídolos e pedras sagradas. A divindade mais valiosa era uma pedra negra muito antiga, guardada na Caaba, em Meca, para onde se organizavam peregrinações a fim de se ver a tal pedra. Este facto dava muito poder aos coraixitas, que dominavam Meca.
Maomé nasceu por volta de 570 DC em Meca. Pertencia a um clã inferior da tribo dos tal coraixitas. Órfão, foi criado por seu avô (chefe do clã) e trabalhou com seu tio Abu, comerciante ao serviço de quem viajou para a Síria.
Maomé tinha cerca de 25 anos quando entrou numa missão comercial em representação de uma rica viúva, Cadija. Ela gostou tanto da prestação de Maomé que, apesar de ser 15 anos mais velha do que ele, lhe propôs casamento (espero que esta autonomia e liberdade das mulheres não ofenda nenhum muçulmano que leia isto no séc. XXI...).
Por volta de 610 DC, Maomé teve uma premonição de Alexandra Solnado e começou a ter grandes conversas com o Anjo Gabriel. Essas revelações ir-se-iam manter até à sua morte e começaram a ser registadas por escrito no Corão por volta de 650 DC. No entanto, Maomé foi um pouco mais cauteloso que Alexandra Solnado, e demorou 3 anos a revelar em público as suas conversas. Para isso foi fundamental o apoio da sua mulher, Cadija, e de um primo cristão de Cadija, Waraqah.
A mensagem de Maomé resume-se a um monoteísmo descomplicado: Existe apenas um Deus e Maomé é o seu Profeta. Ponto final parágrafo. É realmente uma religião um pouco ingénua...
Em 619 morreram os “protectores” de Maomé: a mulher Cadija e o tio Abu. Os poderosos de Meca já estavam um pouco fartos dos seus discursos e assim Maomé teve de ir morar para Medina – em 622 DC, que marca a “hégira”, o ano zero da era muçulmana.
Em Medina, Maomé continuou com as suas conversas com o Anjo Gabriel e com os seus discursos. Com os seguidores que conseguiu reunir no decurso das suas pregações, iniciou ataques a caravanas e contra mercadores. Em 630, conquistou Meca. A pedra negra da Caaba foi a única concessão que fez às crenças antigas – o resto foi destruído.
Maomé morreu em 632.
Em 620, Maomé teve uma visão onde cavalgava com o Anjo Gabriel (depois de tantos anos na palheta já eram compinchas) até ao Monte do Templo, em Jerusalém, para encontrar Abraão, Moisés e Jesus, e daí ascendia ao Trono de Deus. Este sonho é um dos motivos para que Jerusalém seja também uma cidade sagrada para os muçulmanos.
Maomé prometeu o Paraíso a quem morresse em batalha e pilhagem a quem sobrevivesse.
Para Maomé, o Islão era a religião de Abraão que fora abandonada pelos judeus.

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sábado, março 04, 2006

Uma questão de respeito

No dia 13 de Janeiro, Souto Moura foi chamado por Jorge Sampaio ao palácio de Belém, para prestar informações sobre o caso do "envelope 9", divulgado pelo jornal 24 horas. Nesse mesmo dia, o Presidente da República exigiu que as averiguações sobre o "envelope 9" estivessem ultimadas a "curtíssimo prazo".
Já passaram quase dois meses. Até agora, a única coisa que foi tornada pública sobre essas averiguações foi uma espalhafatosa busca, com apreensão de material informático, à redacção do jornal que denunciou o caso.
No dia 9 de Março - próxima quinta-feira - Cavaco Silva toma posse como PR e Jorge Sampaio termina as suas funções. Ou, até quinta-feira, o PGR apresenta as conclusões das averiguações que Sampaio exigiu serem ultimadas a "curtíssimo prazo", ou o desrespeito institucional é total. Será já Cavaco a receber essas conclusões. Feio, muito feio.

Novos links


Enquanto o Rantas dava continuidade à sua "história incompleta das religiões em fascículos", tratei de acrescentar uma série de novos links, ali na coluna da direita. Desta feita foram muitos e variados blogues.
Porque não me apetece estar a catalogá-los, enuncio-os (só aos novos) por ordem alfabética. O RdM passou a linkar ...bl-g- -x-st-, A destreza das dúvidas, A natureza do mal, Aspirina B, Blasfémias, Blogue dos Marretas, Blue Lounge, Bombyx mori, Corta-fitas, Da literatura, Glória Fácil, Grande loja do queijo limiano, Major Alverca, Mas certamente que sim, Ma-Schamba, Miniscente, O céu sobre Lisboa, O insubmisso, O insurgente, Perguntar não ofende, Portugal dos pequeninos, Prazer inculto, The Galarzas, Tugir e - em "outras revisões" - SirHaiva.
Acrescentámos ainda uma secção "Ferramentas", onde incluimos, para já, links ao Blogger, Frescos e Technorati.
Acredito que estes links, que acrescem a vários que já aqui estavam, conduzem a blogues que proporcionam leituras interessantes. Uns serão mais políticos, outros mais bem dispostos, outros ainda são o que lhes apetecer em cada dia. Não concordo necessariamente com muito do que já vi escrito nalguns destes blogues, mas sigo um critério pessoal de qualidade, não de alinhamento.
Boas leituras.

A institucionalização do Cristianismo


Constantino apreciava a companhia de bispos cristãos. Caso tivessem sido flagelados e mutilados em perseguições, beijava-lhes as cicatrizes (blaaargh!).
Mandou erguer a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém e recuperou o santo madeiro (a cruz onde Cristo foi crucificado) – a suprema relíquia do Cristianismo. Transferiu também a capital do império de Roma para Bizâncio (renomeada Constantinopla em sua homenagem, depois da refundação).

Cedo a intolerância também surgiu, tanto contra os pagãos como contra os inevitáveis judeus. Depois de uma sinagoga ter sido destruída, o imperador Teodósio mandou que se procedesse à sua reconstrução a custas dos cristãos que a tinham destruído. No entanto, o bispo de Milão, Ambrósio (uma referência incontornável do Cristianismo primitivo) impediu que se fizesse dessa forma, apresentando este fabuloso argumento: «O que é mais importante? A ostentação de disciplina ou a causa da religião?».
O império romano do Ocidente esboroou-se no séc V. Um dos factores comummente apontados como uma das causas (entre várias outras)para a queda do império é exactamente a religião cristã. A exaltação da bondade, do perdão, da resignação, da não-violência, do amor, revelou-se incompatível com as virtudes militares necessárias nesses tempos.
Ainda no fim desse século (498 DC, para ser mais exacto), Clóvis, Rei dos Francos, foi baptizado, assegurando assim a perpetuação da aliança entre a religião cristã e o poder terreno.
Com a queda do império romano iniciou-se a Era das Trevas, a imensa Idade Média - durou cerca de mil anos, terminando exactamente com a queda de Constantinopla às mãos do outro monoteísmo rival, que surgiu no século VII.

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Direito ao Contraditório

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sexta-feira, março 03, 2006

Topete

Senhor ministro, tem sido alvo de críticas por ter omitido, no comunicado do MNE a propósito das caricaturas de Maomé, uma condenação à violência das reacções islâmicas. Continua a considerar que não errou?
- Senhor jornalista, eu fui o delfim do senhor Professor Marcello Caetano, sou professor de Direito Administrativo, fundei o CDS, fui candidato, pela AD, a Presidente da República - inclusivamente, lancei nessa campanha uma moda muita engraçada de sobretudos verdes e chapéus "palhinhas" - escrevi livros sobre Afonso Henriques e peças de teatro, fui Presidente da Assembleia Geral da ONU, derivei à esquerda, já chamei nomes a Bush e agora sou ministro. Como poderia eu errar? Acho que isso é topete do senhor jornalista.
Ignora, então, as críticas que lhe têm sido feitas?
- Críticas? Isso é tudo estultícia de uns quantos. Como se atrevem a criticar-me? Tenho hombridade e pundonor. Ainda o senhor jornalista andava de cueiros e já eu tinha hombridade e pundonor. Como ousa questionar-me nesses termos? Que vitupério, que infâmia!
Mas, em democracia, é normal criticar e questionar...
- Fala-me o senhor escriba em Democracia? Que falácia. Democrata sou eu, que sei o que é bom para os portugueses e para Portugal. Que desplante. Que atrevimento. Que aleivosia. Sou um homem que sempre pautou a sua actuação por um elevado denodo e sentido das responsabilidades. Cristo e a Virgem Maria são minhas testemunhas. O resto é licenciosidade.
Continua, portanto, a entender que as reacções islamitas são compreensíveis?
- Claro que são compreensíveis, mas também já admiti que são criticáveis. Até assinámos uma declaração da União Europeia e eu próprio enviei uma epístola ao governo da Dinamarca a manifestar a minha solidariedade. Mas não vamos em embustes. Portugal, como sabe, está eivado de perigosos radicais que pretendem, prima facies, lançar-se em novas cruzadas contra os infiéis. Para consumo interno, o fundamental era dizer que respeitinho é que é preciso. O povo português não percebe nada disto, mas eu sou um grande pedagogo. Estou até a pensar lançar-me na empresa de um programa de televisão, ao serão, em que explico umas coisas aos portugueses.
Pensa que é apoiado, nesta matéria, pelo Primeiro Ministro e pelo PS?
- O senhor cronista é maroto, está a ser licencioso... um verdadeiro energúmeno. Como poderia eu, que fui delfim do professor Marcello Caetano, professor de Direito Administrativo, fundador do CDS, candidato a Presidente da República pela AD, autor de livros e peças de teatro, presidente da AG da ONU, crítico de Bush, que sou ministro... dizia, como poderia eu não ser apoiado pelo PM e pelo PS nesta matéria? Os meus camaradas estão comigo, que não sou de tergiversar... Eu disse camaradas? Faça favor de suprimir...

Choque espiritual/temporal

Este senhor insiste em chafurdar na lama. O seu ar crispado, na sessão de ontem da Assembleia da República, dando novas interpretações ao conceito "essencial" e insistindo na asneira grossa, chateia-me.
Freitas do Amaral não tem, obviamente, razão. Espera-se, de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que seja, no mínimo... diplomático. Desse ponto de vista, o comunicado de Freitas falhou em toda a linha. Quando estados religiosos fundamentalistas e totalitários procuram impôr a sua visão do mundo e da vida a estados laicos e democráticos, o mais importante (o "essencial"), para estes últimos - e sobretudo, até, para consumo interno - é reafirmarem isso mesmo: "compreendo o seu melindre, mas nós vivemos num estado governado por homens livres, não por Deus, e habitado por indivíduos, não por rebanhos. Ao se recusarem a entender isto, a vossa reacção é inaceitável."
De facto, o que não se compreende, nestas discussões, é que se ponha o acento na "guerra" ou "choque" de civilizações. Na realidade, o que está em causa é, mais uma vez, um choque entre uma visão laica e outra, confessional, do Estado. Também entre nós há grupos que defendem uma maior influência da Igreja na governação dos homens, com um predomínio do espiritual sobre o secular, movendo-se em grupos de interesse organizados (o Opus Dei, por exemplo). Nos Estados Unidos esta influência é ainda mais clara e evidente, pela existência de poderosíssimos lobbies da Igreja e de outros grupos religiosos que procuram - e muitas vezes conseguem - influir na determinação de políticas de Estado.
Na Europa, de qualquer modo, a questão da interferência do espiritual no temporal já está, há muito, relativamente bem resolvida. Por cá, os indivíduos gozam de liberdade de confissão, mas o Estado não. Os estados democráticos europeus não professam nenhuma religião. E os cidadãos europeus, na sua maioria, não querem regredir neste aspecto. Ora, vir agora um balofo Freitas, impante na sua vaidade, dizer que o essencial, para consumo interno, é o "respeitinho", é demais e devia dar demissão.
Apesar de não me ter sido dada a graça da fé, respeito quem a tem. Posso censurar os que não a respeitam, mas não posso, nem quero, proibi-los de desrespeitar. Até a estupidez é livre.
Reservo-me o direito de não respeitar um ministro vaidoso, que se põe de cócoras e papagueia a palavra "licenciosidade" perante uma escalada de ódio e violência que se procura justificar em motivos que são, para mim, totalmente descabidos.
Se, quando o "Expresso" publicou a triste caricatura do Papa, os católicos tivessem corrido a incendiar a redacção do jornal e, do púlpito, os padres condenassem o caricaturista à morte, qual seria a posição de Freitas? "Condenamos a publicação de caricaturas, que são licenciosidade"???
Obviamente, dito assim - sem vir acompanhado de uma crítica à reacção violenta e, acima de tudo, ilegal - isso seria inaceitável entre nós. Então, porque o toleramos aos outros? Será porque Freitas toma os islamitas - todos os islamitas - por estúpidos?
Portanto, mantém-se a questão: no comunicado do MNE, Freitas não disse o essencial. Foi paternalista. Falhou. Envergonhou-nos. Envergonhou os islamitas moderados. Como não reconhece o erro, como é vaidoso demais para fazer mea culpa, devia ser demitido. Já.
Nota: é curioso verificar, na discussão que se vai travando na blogosfera em relação a estes assuntos, que aparentemente seja a "direita" a defender a liberdade e a "esquerda" a apontar os seus limites (ainda que auto-impostos) e o "respeitinho". Anda de facto estranho, o mundo.

Olhe que não...

Depois deste fabuloso poste, em que se refere uma capa de disco que é, em simultâneo, um excelente «indutor de vómito», deste outro que explica (com exemplos ilustrados) as normas de comportamento socialmente aceites quando colocados em frente a um urinol (essa ciência esquecida) e ainda desta memória linda e tão fresca que nos fez reviver o "Amor de Água Fresca" cantado pela Dina, eis que o Olhe que não, shô Doutor! Olhe que não... voltou a postar.
Vale a pena colocar esse blog nos favoritos. O autor (que não sei quem é) posta com uma frequência semanal, mais coisa menos coisa. E cada poste é uma festa.

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3 de Março

Foto retirada do site da AAACM

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quinta-feira, março 02, 2006

Constantino: "IN HOC SIGNO VINCES"


Desde cedo o Cristianismo foi sujeito a discussões, desavenças, diferentes interpretações. Recorde-se que na altura não havia ainda Evangelhos e os mais próximos de Cristo tinham sido todos supliciados. A morte de Pedro, crucificado de cabeça para baixo, é particularmente reveladora do que eram esses tempos e da força das convicções nessa altura. O primeiro concílio realizou-se em Jerusalém, logo em 51 DC.
O Concílio de Nicéia (séc. IV) foi particularmente importante para a doutrina. Foi aí que se estabeleceu a consubstancialidade do Pai e do Filho (polémica entre o “Homoousiano” e o “Homoiousiano”, Atanásio e Ário), a Santíssima Trindade, etc. Coisas importantes à brava, se bem que não estejam ao alcance de qualquer um.
Para além de concílios onde se discutiam aspectos obscuros da doutrina e se acusavam mutuamente de heresia (em linguagem do século XX chamar-se-ia revisionismo...), os Cristãos rapidamente tiraram partido da organização do império romano para se alastrarem.
Os tempos estavam difíceis para o império: Diocleciano acabou por instituir a tetrarquia, com dois Augustos e dois Césares a governarem o império. Diocleciano abdicou em 305 DC e regressou “à vida civil”. Constâncio Cloro era o César do Ocidente e tinha a seu cargo a Bretanha e as Gálias. O seu filho Constantino foi proclamado Imperador pelas suas legiões na Bretanha e estendeu o seu poder a todo o Império. Antes da crucial batalha com o seu principal rival Maxêncio mandou bordar uma cruz nos seus estandartes, depois do famoso sonho do “In hoc signo vinces”. Ganhou a batalha e tornou-se Imperador. O primeiro Imperador cristão.

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quarta-feira, março 01, 2006

Atlântico


Já comprei a edição de Março da revista Atlântico.
Do que li, destaco o "Obituário político do soarismo", de Maria Helena Bonifácio e o artigo de João Marques de Almeida a propósito da "aliança Europa/Israel". A defesa do "Direito à licenciosidade", feita por Pedro Lomba, resulta em mais uma página interessante, tal como é a que se escreve a partir de Bruxelas, por Henrique Burnay.
Ainda não li as páginas "Deste mundo e do outro", "Luxos", "Viagem" e as "Confissões" de Maria Filomena Mónica.
Mas penso já poder dizer que a Atlântico é uma revista que se deve ler. Com algum desequilíbrio entre autores, este é um projecto assumidamente engajado no liberalismo, o que é bom - ser assumido, pelo menos. Mas parece-me que também demasiadamente acrítico em relação ao PSD (será só impressão minha?).
A maior parte dos autores são também bloggers, pelo que facilmente se entende o eco que a revista tem na blogosfera.
A Atlântico não é uma má revista. Mas, ao contrário do que parece pretender, não traz muito de novo. Depois da leitura, fico com a sensação de que algo falha nesta publicação. Um dia, talvez seja capaz de explicar exactamente o quê. Neste momento, a melhor descrição que consigo fazer dessa sensação vaga é afirmar que, apesar de ser óbvia a diferença de "estilos", continuo com muitas saudades da revista K ou do Independente de Portas e MEC.
Espero que o João Miranda concorde. (Parabéns ao Blasfémias pelo segundo aniversário).

A Nova Aliança entre Deus e o Homem

O novo monoteísmo chegou com uma enorme frescura: Cristo concebido por uma virgem (!), produzindo milagres vistosos (transformar água em vinho, andar sobre a água, multiplicar peixinhos, curar leprosos) e apregoando a brandura e a simplicidade. Acima de tudo, perdoar e oferecer a outra face.
Esta mensagem surgiu em tempos violentos e conturbados e conseguiu a adesão de vários seguidores nas camadas mais desfavorecidas da população. Constituiu de facto uma mensagem de esperança para quem tinha uma vida miserável, e a “boa-nova” espalhou-se como pãezinhos quentes. Mas, entretanto, Cristo morreu e todos os apóstolos também. A nova aliança entre Deus e o Homem corria o risco de desaparecer
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Paulo de Tarso era um judeu caça-cristãos. Carregado com mandatos de prisão de cristãos, teve uma visão no meio da estrada para Damasco. A grande visão de Paulo, a grande novidade do seu pensamento, é que “cristão” não era necessariamente um upgrade de “judeu”: Poder-se-ia ser cristão sem ter de cortar antes o prepúcio. Foi com esta amarga questão que alguns cristãos (ex-judeus) se revoltaram contra Paulo, mas a visão dele fundou uma religião universal – a primeira, já que o monoteísmo anterior era só para alguns eleitos, não era para todos.
Paulo era também um cidadão romano, o que lhe permitiu ser levado a Roma para ser julgado. Acabou por ser decapitado em 67 DC, ainda no rescaldo do incêndio que se abateu em 64 DC sobre a cidade.

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