quarta-feira, março 23, 2005

Título?

A gravata aperta-me o pescoço
pelo que solto o nó
e fumo um cigarro
na janela aberta
de frente para o Tejo

E, nestas horas mortas do escritório,
em que ainda ninguém voltou do almoço,
enquanto fumo o cigarro
na janela aberta de frente para o Tejo

Apetece-me abraçar e beijar
todas as pessoas que amo

segunda-feira, março 21, 2005

Par Acção - Reacção

Já que o meu companheiro de escrita deu o pontapé de saída ao tópico futebol considero-me autorizado para também eu trair a magna carta deste blog (só desta vez porque para um devoto do fcp este ano pode considerar-se uma tragédia em pause).

Gosto de boa bola. Gosto de golos à maluca. Gosto de adeptos aos gritos. Gosto que o meu clube jogue bem. Gosto de ganhar. Mas não me entristece demais quando, mesmo jogando bem, empatamos ou perdemos frente a um adversário que joga (ou jogou) muito melhor, salvo quando jogamos muito mal (obrigado por nada, ó pinto da costa). Em suma, gosto mais do jogo do que do meu clube. Ou dito de outra maneira, não gosto de futebol por causa do meu clube.

Que hoje se cumpra um bom jogo. E que o fc porto ganhe, se jogar melhor.

sexta-feira, março 18, 2005

Statement

O meu companheiro revisionista (da matéria) Rui Lourenço - que teima em escrever pouco aqui no blogue - intimou-me logo no início da "coisa" a não trazer questões futebolísticas à baila.
Quero, no entanto, deixar um "statement" (ou serão dois?): eu sou do Sporting. Ele (o Rui) é do Porto.
Como as nossas equipas se defrontam na próxima segunda feira, queria só fazer o seguinte comentário, à atenção de leões e dragões:
Gostei - ao contrário do que muitas vezes acontece - de estar ontem no Alvalade XXI.
Destaco a festa da claque do Middlesbrough, no fim do jogo. Eles jogaram pouco, limitaram-se a defender, perderam e foram eliminados. Os adeptos, no entanto, cantaram e incentivaram o "team" como se tivessem testemunhado um jogo e um resultado fantásticos. Foi bonito, pá. Mais ainda porque o Sporting ganhou, é claro.
Que segunda feira se repita a festa...

quinta-feira, março 17, 2005

Pois é!

Era certinho como o destino. Santana voltou à CML. Lá vamos ter a cidade, outra vez, pejada de cartazes a publicitar a obra por fazer. Não confundir com obra feita, que o homem não é dessas coisas!
Uma das melhores medidas de Carmona Rodrigues foi mandar retirar esses cartazes. Aliás, admito que li nos jornais a notícia - e, muito optimista, acreditei - mas não dei pelos efeitos práticos na cidade.
Santana manteve o tabu para se manter na ribalta. Regressa agora, derrotado e mal-amado, a um cargo menor (para quem já foi primeiro ministro). Isso não o incomoda. Afinal, a casinha de Monsanto dá sempre jeito. Não é, Pedro?

segunda-feira, março 14, 2005

O estudo de um caso

Hoje, 14 de Março de 2005, a TAP comemora 60 anos. Parabéns.

Importa, parece-me, olhar para além da efeméride.

A TAP enfrentou, ao longo dos anos, múltiplos problemas e dificuldades. Não fora, por diversas vezes, a injecção de capitais públicos (que nos saem a todos do bolso) e a TAP não teria aqui chegado.

Mas, por imposição europeia - de forma a promover uma real concorrência entre companhias aéreas - esses balões de oxigénio, de que a TAP sobrevivia, foram proibidos há alguns anos.

A companhia viu-se assim obrigada a procurar novos caminhos de sobrevivência.
Com uma gestão profissinal, não só sobreviveu, como cresceu, está em boa forma e promete novos voos.

Conseguiu-se a pacificação social, chamando os trabalhadores a contribuir para alcançar objectivos transparentes (note-se, sem aumentos salariais nos últimos 3 anos) - atingir os lucros. Isso foi conseguido. Hoje, também, a TAP entrou na elite da aviação comercial mundial, a Star Alliance.

Tudo isto, nos anos mais difíceis da história deste sector de actividade.

Assim, renovada e reforçadamente, parabéns à TAP, às diversas tutelas que se abstiveram de prejudicar o trabalho em curso, aos seus gestores e, sobretudo, aos trabalhadores da companhia.

Estude-se este caso (Harvard já o faz). Aplique-se, naquilo que for aplicável, ao País. Para podermos, todos juntos, descolar dos "fundos" de todas as tabelas estatísticas da UE.

Arranja-me um emprego...

Santana regressa à CML ou não?
O problema do homem é digno e merece atenção: ele precisa, como a larga maioria de nós, de ganhar a vida.
A larga maioria de nós não gostava, no entanto, de o ver regressar à CML ("penso eu de que...")
Ele próprio, creio, não gostaria de voltar à CML. Mas quem lhe oferece emprego?
A grande questão é: além de todos os cargos políticos que desempenhou ao longo da vida, o que sabe Pedro fazer? - Nada (?!?) - E agora? Quem arranja um emprego a um ex-primeiro ministro que não sabe fazer nada?
Pessoalmente, precisava de alguém que me ajudasse a catalogar os CD's, Livros e DVD's. Mas não sei se confio suficientemente nas capacidades do PSL para essas funções. Para além disso, a coisa dá muito trabalho e é - obviamente - mal paga. Acho que não é solução.

segunda-feira, março 07, 2005

Ou sim, ou sopas

O PSD pendura um cartaz com as figuras do guterrismo perguntando aos portugueses se querem que eles voltem.
Fast-forward.
O PSD comenta o elenco governamental dizendo que não se vêm as figuras de proa do PS.
Sinto-me baralhado.

Não há dois partidos iguais, mas...

Na noite das eleições, Paulo Portas queixava-se de não haver outro país desenvolvido (era este o adjectivo?) onde a extrema-esquerda conseguisse os resultados que obteve em Portugal.
O episódio do retrato-correio de freitas do amaral serve para perceber que o CDS-PP é muito mais parecido com a extrema-esquerda portuguesa do que eles próprios julgam.

Não fui ao tapete

A reboque da opinião e conselho de alguns conhecidos lá me enfiei numa sala de cinema para tirar as medidas ao último filme do Clint Eastwood. Para esclarecer a análise diga-se à partida que me conto entre os admiradores desta figura mítica do cinema norte-americano.

Nota à laia de pré-comentário: Há qualquer coisa de muito engraçado num gajo que já foi um pistoleiro down 'n dirty (o bom, o mau e o vilão), um justiceiro dos tempos modernos (dirty harry), um ícone quase oficial das séries B, actor dado como acabado, um realizador em início de carreira, um caso curioso, um ressuscitador de género (unforgiven), surpreendentemente humano (a perfect world), um romântico incorrigível (the bridges of madison county), e finalmente absolutamente brilhante (mystic river).

Vi o filme, emocionei-me com a história, apreciei a cinematografia, confirmei que a hillary swank é uma boa actriz, gostei muito de rever o morgan freeman, e acabei por sair do cinema com a boca a saber a pouco.

Não é que não reconheça méritos ao filme (que lhe reconheço bastantes) mas estava à espera de mais. Uma limpeza nos óscares e tanta conversa tinham-me levado a pensar que estávamos na presença de mais um tour de force, daqueles que deixa um amante de bom cinema em ponto de rebuçado.

Se calhar a culpa até não é do filme, ou melhor, não é deste filme. É antes um problema de análise comparada: não consigo pensar no Million Dollar Baby sem me lembrar do Mystic River. E levados os respectivos argumentos ao ringue, o ko é claro. O que em Mystic River era carne crua, neste é tarte de limão. O que era êxtase emocional, neste é análise social. O que era desespero, neste é esperança. O que era queda livre, neste não é.

Para mim, Million Dollar Baby é um filme belo, mas não é um belo filme. No entanto, faz todo o sentido que Hollywood lhe tenha estendido o tapete vermelho da consagração. O filme tem tudo para fazer os prazeres da moral made in america: o ideal do self-made man (neste caso, woman), a metáfora do herói caído em combate, o triunfo do bem (veja-se o caso da família disfuncional), e a necessidade de rematar as traições da vida com um final feliz, ou seja, com uma mensagem de esperança.

Venha o próximo...