domingo, julho 11, 2010

Avaliações dos professores


Um dos temas dos últimos anos que mais me deixou irritado foi o da avaliação dos professores. É verdade que a anterior Ministra não teve nem engenho nem arte para atingir os objectivos a que se propunha. No entanto, independentemente do estilo pessoal da ex-Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, esses objectivos eram e continuam ser muito válidos. Tenho muita pena que a nova Ministra tenha alcançado uma "vitória" ao fazer as pazes com a classe dos professores, porque isso constituiu uma derrota das pessoas de bom-senso em Portugal que, apesar de não irem para a rua gritar, entendem que o qualquer modelo de avaliação sem "numerus-clausus" não permite avaliar coisa nenhuma.

Vem isto a propósito de uma entrevista da antiga Ministra da Educação à Visão, onde apresentou um livro sobre o seu longo consulado à frente do Ministério, e principalmente por causa de uma carta que saiu na última edição dessa revista, onde um leitor (José Carvalho, de Chaves), afirma o seguinte: «(...) a docência necessita de uma conjugação de esforços e saberes dos seus diversos agentes para enfrentar as crescentes dificuldades com que a escola pública se depara. Não necessita de um processo de avaliação de desempenho que contribua para instaurar a divisão. As divisões e as diferenças entre os docentes deverão ser usadas para os complementar, e não para os rotular».

Este discurso enjoa... na actividade profissional que desempenho, desde há 18 anos que sou sujeito a avaliações de desempenho, com impacto em aumentos e promoções. Naturalmente que isso contribui para diferenciar , a mim e aos meus colegas de trabalho. Uns são melhores, os outros não alcançam o mesmo nível de excelência. Os melhores devem ser premiados, os outros devem ser desafiados a melhorar. Já tive anos com boas avaliações, outros anos tive avaliações mais-ou-menos. Sempre fui à luta para manter o que de bom me apontavam ou para aprender a fazer melhor. Não é para me gabar, mas ao olhar para quem tinha melhores avaliações do que eu, fui aprendendo a ser um melhor profissional naquilo que faço. Um modelo de avaliação tem de ter "numerus-clausus", caso contrário, ficamos todos contentinhos, porque somos todos muita bons. E continuaremos a sê-lo mesmo sendo desmentidos todos os anos pela nossa triste realidade...

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