quarta-feira, dezembro 28, 2005

Novo link: Bloguítica

Acrescentado à coluna de links ali à direita foi o blog Bloguitica, do Paulo Gorjão. Pelo acompanhamento atento que faz da blogosfera, porque muitas vezes temos pontos de vista (eu e ele, não posso falar pelo Rantas e pelo sempre-ausente Malagueta) concordantes sobre variados assuntos, porque sim, passamos então a ter aqui a ligação a uma das minhas leituras diárias.

Grrrrrrrrr

A forma como os candidatos "de esquerda" e o PS, com uma inenarrável cobertura mediática, se atiraram ontem a Cavaco, atacando-o por umas declarações relativamente irrelevantes em que "sugeria" a criação de um "Secretário de Estado para acompanhar as empresas estrangeiras" é, na minha opinião, patética. Nesta afirmação do candidato Cavaco ao JN, a esquerda viu um "Golpe Constitucional", o fantasma de Salazar, o 28 de Maio de 1926 revisitado.
Depois da patetice em torno das apostas da BetandWin sobre o vencedor das presidenciais, eis que volta o coro de esquerda a uivar por causa duma questão menor. Protagonismo, eles querem protagonismo, tempo de antena mesmo que seja para dizerem nada. Ou nada de relevante, pelo menos.
As posteriores tentativas de justificação de Cavaco não são menos patéticas. A assunção de um ar angelical, dando o dito por não dito, só lhe cai mal. Devia aproveitar para atacar, expôr o ridículo em que os seus adversários incorrem. Que raio, se um Presidente da República não se pode pronunciar sobre estas questões, sugerindo até algumas medidas ao Governo (que é livre de as rejeitar), serve para quê? Louçã não tem aproveitado esta campanha para falar sobre políticas partidárias, apresentando inclusivamente propostas concretas para a Segurança Social, por exemplo? Alguém veio dizer "aqui d' El Rei"?
Quero esclarecer (para quem não tenha lido anteriores posts): não sou "cavaquista", não simpatizo com Cavaco, não me revejo nele. É seráfico e, com a sua atitude de alforreca, põe-se a jeito para estes ataques. Depois, tenta assumir uma postura de "cordeiro" entre os lobos. Não será, nunca, um bom Presidente da República. Poderá ser, eventualmente, o menos mau. Porque os outros são piores. Mas entre um e outros, prefiro o senhor D. Duarte. Sinceramente.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Taxi Driver de Alcochete

bAinda sobre a Ota (V. post, no Merdex): há cerca de 2 semanas estava eu a falar com o El Ranys, meu caríssimo co-blogger aqui do Revisão da Matéria - ah e tal, como é que vão as coisas, eu a deitar água na fervura, deixa lá, ninguém aceitou o teu repto de manif (post "Ainda o TGV", de 13 de Dezembro), pois, é chato, e o camandro...

Olha lá! Um colega meu lá do banco é que tem lido os teus posts sobre o TGV e a Ota com muita atenção - digo eu, para o animar. O El Ranys parece-me mais satisfeito do outro lado do telemóvel: «É por aí que temos de ir, temos de chegar aos 1.000 de audiência no Sitemeter, o blog tem qualidade suficiente para isso e para muito mais!». Continuando a boa-acção, troco mais umas palavras com ele sobre a Ota: "Pois, e tal, ele gostou muito das tuas ideias, a Ota, e tal e coiso, 'tás a ver? Tens um leitor sem ser da família! Boa!!".
O taxi está quase a chegar a casa. "Pode encostar aqui, por favor. Pode-me passar uma factura, por favor? Ciao, El, fica bem, e tal".
Pelos vistos o taxista esteve atento à conversa: «O senhor anda a fazer alguma investigação sobre a Ota?» - «Eu não», sorrio. «É só umas coisas e o caraças». «Bem me parecia. É um editor, não é? Pois se anda a investigar a Ota digo-lhe já onde deve procurar - estude bem ahistória da Maçonaria. E já que vai por aí, veja o Mário Soares. O Soares, sim, mais o Pinto Balsemão e o Belmiro de Azevedo (!), são os 3 que dominam Portugal através da Maçonaria (!!) e compraram todos terrenos na Ota. Se quiser investigar a Ota tem de investigar isto».
Fiquei atordoado. Só me conseguia lembrar de uma coisa: «Hey! Are you talking to me?!».
Paguei. Saí. Acho que nem cheguei a receber a factura do táxi.
Bem-aventurados os pobres de espírito! Seria das influências dos filmes americanos de teorias de conspiração ou seria um natural-born, um auto-didacta que investiga esses assuntos? Bah! Who cares?

Etiquetas:

Nuclear

Com as informações de que disponho (as que qualquer pessoa minimamente interessada que leia jornais tem), sou a favor da construção de centrais nucleares de produção de energia eléctrica.

A ideia, avançada há algum tempo pelo empresário Patrick Monteiro de Barros, parece merecer elogio.

Uma central nuclear é segura. Tchernobyl não é a referência. Mais a mais, os nossos vizinhos espanhóis possuem uma série de centrais nucleares. A haver um acidente nalguma delas, também nós seriamos seriamente afectados, pelo que agitar este papão, como se nós estivessemos, para já, livres desse perigo, não faz sentido.

A produção de energia eléctrica através de uma central nuclear parece apresentar inúmeras vantagens, até mesmo ambientais, uma vez que provoca muito menos poluição. Existe a questão dos resíduos nucleares, que gostava de conhecer com mais profundidade. Mas podem sempre ser "exportados" para tratamento, suponho.

Em termos económicos, reduz fortemente a dependência petrolífera, o que só pode ser bom e estratégico e diminui, segundo julgo saber, os custos. Assim, como mero "curioso", mas por entender que pode ser altamente benéfico para a economia do País, nuclear sim, obrigado.

Adenda: via Bloguítica chego ao blog Central Nuclear, onde muitas destas questões são apresentadas de forma mais completa e sistemática. É do Central Nuclear que retiro o link para o download de um importante documento da autoria de Pedro de Sampaio Nunes. Para quem queira participar nesta discussão, recomenda-se a leitura.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Saudades de Coimbra



De Coimbra, tenho muitas recordações. Dos tempos de universitário. Dos grandes e bons amigos e amigas. Mas sobretudo, dos vários períodos de férias que passava em casa dos meus avós, na infância e adolescência, e do Natal.

É sobretudo do Natal em Coimbra que me lembro agora. Quando a vida era quase linear, Natal era sinónimo de Coimbra. Passado em família, com dezenas de tios, primos e, muitas vezes, amigos da família que se juntavam à festa. Um caos, uma confusão enorme e tantas, tão boas memórias.

Isto era no tempo, não tão recuado, em que a vida era quase linear. Natal era Coimbra. Mas as nossas circunstâncias mudam, e nós com elas. Por razões várias, já nada é linear. O Natal já não é Coimbra. Reparte-se, agora, entre diversos agregados familiares, numa lufa-lufa de compras, obrigações, "ter que"...

A vida é cada vez mais feita de compromissos. Ainda assim, tentem uma vida feliz. Feliz Natal.

Tb tu, xpresso


"TV no tlm tb na TMN e Optimus"

Escrito desta forma, este é o título de uma notícia do caderno de Economia & Internacional da edição de hoje do "Expresso".
Isto deve ser akilo a k se xama jornalismo moderno. Eu é k sou 1 kota. Dahaaaaa...

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Pesadelo

Detesto passear em centros comerciais, ver montras, espreitar lojas. Sei que não estou sozinho nesta "tara". É um "passatempo" que me incomoda sobremaneira. Acho que o meu tempo é muito melhor empregue se dedicado a outras actividades ou mesmo a actividade nenhuma. Quando confrontado, em casa, com a maldosa sugestão "preciso de comprar X, não queres vir ali comigo ao Centro Y?", já sei que a proposta contempla algumas horas a ver montras e a entrar em lojas, mesmo que, no fim, nada se compre. Um perfeito desperdício de tempo, passado em sítios poucos agradáveis, excessivamente frequentados e mal arejados. Renuncio sempre ao "convite", para espanto e, por vezes, indignação da proponente que, no entanto, já se vai conformando a esta minha "alergia" a centros comerciais, sobretudo ao fim-de-semana.

Esta minha mania chega a tal ponto que pertenço ao restritíssimo grupo de residentes em Lisboa que nunca pôs os seus pézinhos na quintessência do género, o Colombo. Tenho um certo orgulho em afirmar isto em núcleos de amigos ou família, mas não deixo de notar que se seguem sempre, a esta confissão/gabarolice, olhares desconfiados, incrédulos e piedosos.

Não consigo perceber as pessoas que se dispõem a perder horas em centros comerciais. Nesta época de Natal, a coisa atinge um expoente máximo de loucura. Por isso, fiz as minhas compras de Natal atempadamente e com bastante antecedência. Faltava-me uma. Hoje, fui ao Vasco da Gama para arrumar de vez a questão. Sabia o que queria e fui directamente à loja que me interessava. Mas a concentração de pessoas, à hora de almoço, era tanta, as filas nas caixas de pagamento tão enormes, que quase me senti claustrofóbico (exagero um pouco, mas compreenderão). Mal vi o cenário que estava montado para a minha odisseia, fugi. Não sei onde vou comprar esta prenda que me falta. Nem quando. Mas só pensar nisso provoca-me um esgar de dor profunda.

terça-feira, dezembro 20, 2005

A ler

A ler, absolutamente a ler este belíssimo post de Abel Barros Baptista no Casmurro .
Resumisse-se a actual leviandade jornalística a este exemplo e tudo estaria bem. Mas o estilo tem feito escola. Honni soit qui mal y pense.

Memórias de Macau - A Pataca


Claro que houve muito boa gente a ganhar muito dinheiro, mas Macau não era, para a maioria, a tão famosa "árvore das patacas". Ganhava-se melhor, consideravelmente melhor, do que em Portugal, mas os funcionários (a maioria dos portugueses residentes) não enriqueceram. Dava para manter um excelente nível de vida e pouco mais do que isso. Muitos preferiram fazer vida de emigrante e juntar todos os "patacos" para comprar uma casinha na "República". Outros gastaram e viveram à grande e não juntaram pecúlio. Claro que existiram muitos "negócios da China". Mas também há muitos "negócios da China" que se fazem em Portugal, não é?
De qualquer modo, é uma grande saudade, a pataca.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

É Natal


É Natal (é Natal)
Em Belém (em Belém)
Nasceu Jesus (nasceu Jesus)
Tocam os sinos (tocam os sinos)

Porque é Natal (é natal)
Em Belém (em Belém)
Nasceu Jesus (nasceu Jesus)
Tocam os sinos (tocam os sinos)

Porque é Natal (é Natal)...


Esta música, cantada em voz aguda e irritante, já foi um "must" de muitos natais...
Agora a música é outra. Todas as prendas compradas, menos a minha, para mim. E quero uma câmara digital Leica D-Lux 2. Será que o Pai Natal dá?

Má Publicidade

A publicidade tem mistérios insondáveis. Pequenos detalhes, por vezes primeiras impressões, que deitam abaixo uma campanha de milhões.
Eu confesso que sou muito estranho com a publicidade. Gosto de ver anúncios bem feitos, engraçados, chamativos, originais. Se compro mais ou se compro sequer os artigos por causa da publicidade, pode ser. Eu sinceramente não me apercebo.
Claro está que há a teoria do "Não importa que digam mal, o que importa é que falem disso".
Para mim essa teoria não funciona. Eu até posso comprar mais, de forma desapercebida, por ter visto algum anúncio de que tenha gostado. Subliminarmente ou não, isso pode até funcionar.
Agora, o que certos publicitários parecem não se aperceber (ou será só comigo?), é que isso funciona bastante mais ao contrário: Se gosto, até posso comprar. Se não gosto, não compro nem comprarei nunca!
Por exemplo, os anúncios da cerveja Bohemia. Uma loira e uma morena, de ar dengoso, e o slogan: «A ruiva é a mais gostosa». Só se não houver mais cerveja nenhuma é que vou experimentar.
Marisa Cruz num balneário de homens nús - está montado o cenário perfeito para o famoso "refrigerante de tomates", ou "com tomates", ou coisa que o valha. 100% burgesso! Básico. Nem que exista outro sumo eu trago aquele para casa!
O problema é que essas reacções dependem de aspectos dificilmente controláveis. Por exemplo, os anúncios acima (uma barreira com elevado poder de retenção de líquidos e um gel com alto poder lubrificante) podem ser engraçados (eu acho...). Mas também pode ser altamente ofensivo para algumas pessoas. A resposta? Não sei. Mas garanto uma coisa: Santal (e não é só o de tomate) aqui em casa não entra!

Etiquetas:

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Bom senso

Recomendo a leitura do post de 14.12.05 que começa com "Rui Pena Pires fala..."
Como não consigo "linkar" directa e exclusivamente o post em causa, fica aqui o link para o blog O Céu Sobre Lisboa, que se recomenda também no geral.
Acrescentaria aos comentadores referidos nesse post - entre outros - a senhora Drª Clara Ferreira Alves, pluma caprichosa, que desde há muito me vem irritando com as suas crónicas na "Única". A desta semana, sobre Caracas, em que aproveita para desancar a despropósito sobre Lisboa, é de uma cabotinice recorrente e já (temo) irreversível.
Clara: se odiasse tanto Portugal quanto a senhora parece odiar (o fel que lhe escorre das letras não a deixa contrariar esta ideia), já há muito que tinha embalado a trouxa e zarpado. A si, o que a impede?

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Memórias de Macau - As massagens




E mais não digo.

Crítica de cinema

Há uns anos atrás, ver cinema português poderia transformar-se num suplício longo e entediante. Filmes de intelectuais para intelectuais, era raro o filme que tinha público.
O "Branca de Neve", de João César Monteiro, foi o corolário desse percurso: filme brilhante, inovador, pioneiro, primeiro filme para cegos, primeiro filme radiofónico, insulto autista e pesporrente de um doido varrido, desperdício de dinheiros públicos, ouviu-se de tudo. Que havia de ser uma seca, lá isso... e foi inesperado, até por vir de quem veio: "As Recordações da Casa Amarela", do mesmo autor, continuam a trazer-me boas recordações.
Já nos últimos anos, e especialmente por iniciativa da SIC, o cinema português popularizou-se. Tanto no sentido de ir ao encontro do público, com filmes com alguma qualidade, como no sentido mais pejorativo da expressão - filmes popularuchos, de fraca qualidade, a desafiarem os mais baixos instintos do grande público.
Este "O Crime do Padre Amaro" alinha nesta última categoria. Um padre novo no Casal Ventoso, que aluga um quarto ao lado da Soraia Chaves. Não é preciso grande imaginação para visualizar o resto do argumento, pois não?
Dois modelos transvestidos de actores (Soraia Chaves, que terá uma grande carreira cinematográfica enquanto continuar a encontrar estilistas que desenhem decotes à escala dela, e Jorge Corrula).
As interpretações deles nem são más de todo. Ela é de facto muito provocante (mas não sai desse registo), ele tem um pouco mais de jeito.
À volta destes dois o que se vê? Filme cheio de estereótipos, de lugares-comum (será que ninguém consegue fazer uns diálogos um pouco menos chatos?!), sem novidades, sem imprevistos. Até a tão badalada pedofilia não podia faltar. A grande surpresa é quando dois membros de gangue se põem a discutir à desgarrada, em verso. Essa cena pode resultar numa repentina vontade de chorar, ou em interrogações teleológicas mais profundas (porque vim? porque estou aqui? porque não saio do raio desta sala?).
Bom, eu não saí e aguentei-me valentemente firme e hirto apenas porque foi a terceira vez, nos últimos 18 meses, que fui ao cinema. Bem sei que é um fraco argumento para ficar (ainda mais porque o meu Sporting supostamente estaria a cilindrar o Estrela da Amadora enquanto eu estava enfiado naquela sala escura a deitar contas à vida), mas promessas conjugais feitas de forma condicionada e inconsciente contribuiram para a minha perdição. Se bem que, pensando bem nesse aspecto, o filme até cumpriu a sua função: levar-me, como espectador, para um mundo onírico, em que Liedson fazia um hat-trick, Deivid ajudava, Moutinho completava.
Do que gostei: Pedro Granger está bem. Ana Bustorff também - enfim, ela está sempre bem...
Do que gostei mais: Nuno Melo (mais conhecido como o gajo que foi capado aí numa novela, há uns anos atrás). Tem momentos muito bons. Para lá disso, diz a deixa em que andei a pensar durante quase o filme todo: "Foda-se!". Não se pense, contudo, que é um "foda-se" envergonhado, a pedir licença. Não!, é um "foda-se!" de encher a boca, à séria, convincente, displicente como um bom "foda-se" tem de ser! Como eu não via no cinema desde um outro "foda-se" memorável, bem enrolado, demorado, de Vítor Norte, em "Lena", um filmezeco meio obscuro galaico-português, de 2001, ou por aí - e bastante melhor que este "Crime", por sinal.

Etiquetas:

terça-feira, dezembro 13, 2005

Ainda o TGV

Voltamos ao TGV, agora com os detalhes hoje apresentados pelo ministro Mário Lino. Desta apresentação, uma nota chama desde logo a atenção: ainda a obra não começou e os custos já passaram dos inicialmente propalados 7,2 mil milhões para os 7,7 mil milhões de euros.
Assim, em poucos dias, sem nada que o explique, toma lá para a factura mais meio milhão.
Não quero ser um velho do Restelo. É óbvio que todo o País devia estar ligado por uma rede de alta velocidade. É ainda mais óbvio que devia haver uma ligação entre Lisboa e Porto e daqui para Vigo. Isto era o ideal, num país rico. Contribuia-se para a coesão, melhorava-se a circulação de pessoas e bens, num transporte "amigo do ambiente", criavam-se empregos, estimulava-se a economia (sobretudo a das obras públicas). Nesta perspectiva, creio que ninguém pode dizer "sou contra o TGV". Neste sentido, eu não sou contra o TGV, pelo contrário, sou a favor.
Mas...
Os recursos são escassos. São necessárias opções muito claras em relação aos investimentos para onde são canalizados os nossos impostos. E, sobretudo, não se deve estar a hipotecar, de forma grave e prolongada, a saúde financeira pública. É justamente isso que Sócrates e Mário Lino estão a fazer, ao prever um empréstimo para financiar este absurdo projecto.
Já aqui o disse: ligação Lisboa/Madrid - com o fundamental ramal a Sines, actualmente não previsto - sim. É necessário. E fica à volta dos 2,2 milhões de euros.
Agora, uma ligação Lisboa/Porto. Para quê? Bem sei que, se não for feita agora, se não se aproveitarem os actuais financiamentos da UE, talvez nunca se venha a fazer esta linha. E daí? Ela é mesmo um investimento fundamental e estratégico? Não a percebo assim. O dinheiro pode ser investido em outras coisas, mais fundamentais e estratégicas para o País. Por exemplo?
Desde logo, diminuição da carga fiscal suportada pelos portugueses. Devolver o dinheiro à sociedade, porque esse dinheiro nos faz muita falta e tratamos dele melhor que o Estado.
Dotar dos necessários equipamentos informáticos as Finanças e a Segurança Social, para que se controle melhor quem foge aos impostos e contribuições, não deixando prescrever dívidas.
Melhores equipamentos informáticos para os tribunais, perceber o que não funciona nesta área e dotá-la do que é necessário, para que a justiça portuguesa não seja algo que nos envergonha.
Criação de um fundo para pagar indemnizações aos funcionários públicos que não fazem nada, aliviando o peso da administração pública.
Investimento na simplificação da relação entre os cidadãos e o Estado, para que um processo de licenciamento de uma empresa, uma autorização de construção ou obras, etc, não demore meses, e meses, e meses...
Formação profissional (e séria, para que não se repitam as vergonhas do Fundo Social Europeu) dos trabalhadores portugueses pouco qualificados.
Adequação das universidades portuguesas aos padrões da "Declaração de Bolonha".
Investimento em equipamentos adequados e formação para os bombeiros, protecção civil e polícias.
Investimento na requalificação do caótico ordenamento territorial português. Demolir o que for necessário, não deixar erguer mais atentados - ainda que ao abrigo de "direitos adquiridos".
Investir na promoção de Portugal no exterior.
Investir na promoção da diversificação do modelo produtivo português, ainda muito assente na mão-de-obra barata.
Investir no apoio à internacionalização das empresas portuguesas e na captação de investimento estrangeiro.
Investir na produção cultural e na preservação da cultura e do património.
Investir nas relações privilegiadas com os países de língua portuguesa e na divulgação, promoção e incentivos ao ensino do português no mundo.
Esta não é, obviamente, uma lista exaustiva. Mas, se alguma destas coisas deixar de ser feita, ou for feita de forma deficiente, por falta de dinheiro, cada cêntimo gasto na ligação Lisboa/Porto é mal gasto, pois mais importante seria gastá-lo aqui.
Ainda vamos a tempo de travar esta loucura. Proponho manifestação. Quem adere?

Memórias de Macau 1 - cerveja Tsingtao


Uma grata recordação: a cerveja Tsingtao. Bebida a rodos, em finais de tarde ou noites escaldantes, na esplanada do hotel Lisboa (desaparecida por volta de 1989, onde hoje se encontra o Banco da China).
Pedia-se em garrafa grande, que vinha envolta numa espécie de esferovite.
Bebida também em tantos outros locais e situações...
Ainda hoje, nalguns restaurantes chineses de Lisboa, peço uma para matar saudades.
Cerveja Tsingtao, uma escola de vida.
Mm'coi, iat-có petchao...

Daniela Mercury excomungada



O Vaticano organizou um concerto de Natal. Enviou convites, preparou o palco, encerou o chão, engalanou-se para receber visitas. Uma das artistas convidadas foi Daniela Mercury. Católica, como Deus manda.
Daniela aceitou o convite, entusiasmada.
Cinco meses depois do convite lhe ter sido endereçado (e prontamente aceite), quando ela já ensaiava afincadamente, chegou uma nota lacónica dos serviços do Vaticano a desfazer o convite.
Motivo: no Carnaval, Daniela fez campanha contra a SIDA e a favor do preservativo.
Meu Deus - Perdoa-lhes, que eles não sabem o que fazem.

Etiquetas:

John Lennon, 8 de Dezembro de 1980



Etiquetas:

Hou Moun

No dia 20 de Dezembro de 1999, Macau, durante séculos território chinês sob administração portuguesa, assistiu à cerimónia de "devolução de poderes" à República Popular da China.
Quem, alguma vez, "bebeu a água do Lilau" (quem viveu em Macau), nunca esquecerá esse pequeno enclave no sudoeste asiático. Um abraço a todos os "Panguiaos" (amigos) que lá fiz e que lá tenho.





God Save America

8 e pouco da manhã.
TV ligada nos desenhos animados. RTP-2, Segundo Canal, 2: que ideia magnífica este nome! De como fazer uma tolice letra de lei...
Serviço Público, portanto.
Programa Zig Zag. O pequeno gnomo absorve tudo o que se passa no pequeno ecran.
Começa a passar um videoclip animado. Há que tempos não ouvia esta música: "This Land Is My Land", Arlo Guthrie escreveu, Woody Guthrie a cantar. Enfim, se não é isso, há-de ser ao contrário. Eu a essas horas também não estou muito preocupado com isso.
O pequeno gnomo gosta. Quer ver o próximo. E, para meu grande, enorme espanto, aparece... "Stars and Stripes", o hino nacional americano! Cantado em português por uma cantora cheia de genica.
É isso o serviço público da nossa televisão pública, paga com os nossos impostos: a glorificação da bandeira dos ianques, para a criançada!
Porra pra isto!

Etiquetas:

domingo, dezembro 11, 2005

De regresso

Na quarta-feira da semana passada, abalei para o Algarve, para Vilamoura. Fiz ponte na sexta, descansei, jantei às duas da manhã, assisti ao pôr-do-sol, ... - coisas simples da vida que, por uma razão ou por outra, não tenho conseguido fazer tanto quanto gostaria.
E foi isso. Agora estou de volta, para esta loucura do dia-a-dia, de pilhas recarregadas.
Desculpem lá mais esta mariconada de poste, mas agora já passou. Os postes "sérios" seguem dentro de momentos.

Etiquetas:

Sol


Felizes os girassóis que não conhecem sombras

sábado, dezembro 10, 2005

A Scarlett não deu sorte

Felizmente, neste blog já não se fala muito de futebol. Hoje, sobretudo, não falaremos aqui de futebol. Para assuntos dessa natureza, pode dirigir-se ao "Revisão da Jornada" (Link ali na coluna da direita).

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Pausa

Depois de reler as duas últimas "postas", senti uma premente necessidade, um imperativo categórico, de induzir uma certa bonança na tensão acumulada.
Amanhã é feriado, o mundo é belo e o futuro será melhor. Mais do que isso, Deus existe. Senão, como explicar esta irrefutavelmente divina criatura?
Ladies and Gentlemen, I give you... Scarlett Johansson.






7,2 mil Milhões de euros!?!


Repito: 7,2 mil Milhões de euros. As ligações de TGV custarão esta massa toda. Agora, atentem: do investimento previsto, 5 mil milhões dizem respeito à linha Lisboa/Porto e só 2,2 mil milhões à ligação Lisboa/Madrid e, daí, para o resto da Europa. Não se prevê nenhuma ligação ao porto de Sines - fundamental, porque permitiria fazer deste uma das maiores plataformas logísticas intercontinentais do mundo.
Custos para o Estado? Aliás, melhor perguntado, custos para todos nós? - Prevê-se que os nossos impostos suportem 70% do valor total, sendo os restantes 30% financiados por fundos europeus.
Forma de pagamento? - O governo de Sócrates prevê recorrer ao crédito, começando a pagar o empréstimo quando a obra estiver concluida, em 2013. Isto é, a partir desse ano, os portugueses começarão a pagar este enorme disparate. Sócrates e pandilha, como é óbvio, já não terão nada a ver com isso.
Urge então perguntar: qual será a factura anual a pagar pelos portugueses com o empréstimo a contrair? E durante quantos anos terão de a suportar? Quanto toca a cada um de nós, administrados e contribuintes, "cães de pescoço pelado" (de andarmos pela trela), pagar?
O que Sócrates também não quer pagar é a factura política de optar por deixar cair a estapafúrdia linha para o Porto. Não chega, aos caciques do litoral, o disparatado sorvedouro que foi a modernização da linha do Norte. Não é suficiente, para eles, se tiverem ligações em Alfa Pendular utilizado nas suas máximas potencialidades. Não. Eles querem um TGV. Isso é que é moderno, isso é que europeu, isso é que é bonito.
Bastava, para já, uma ligação Lisboa/Madrid, com ramal a Sines. A coisa é necessária, ligava Portugal ao resto da Europa em bitola europeia e alta velocidade e ficava em conta, 2,2 milhões de euros (mais os custos da ligação a Sines, desconhecidos - parece que a hipótese não foi seriamente ponderada).
Assim, com a ligação Lisboa/Porto, totalmente desnecessária e com vantagens competitivas nebulosas (parece que se ganham 15 minutos de viagem, no total, em relação a um Pendular devidamente aproveitado), acrescem à factura mais 5 mil milhões de euros. A pagar por nós, pelos nossos filhos e, provavelmente, pelos nossos netos.
A construção de uma linha de Alta Velocidade Lisboa/Porto é totalmente insensata, não se percebe a quem servirá e compromete seriamente, e por prazo muito dilatado, a saúde financeira de Portugal.
Ainda é tempo de por um travão nesta loucura. Proponho manifestação. Quem adere?

segunda-feira, dezembro 05, 2005

A memória, a porra da memória


A 4 de Dezembro de 1980, o pequeno avião Cessna que transportava o primeiro-ministro de Portugal, Francisco Sá Carneiro, caiu em Camarate logo após ter levantado voo do aeroporto da Portela. Ainda não se apurou - nunca se há-de apurar - se foi acidente ou atentado.
Em consequência, além do PM, faleceram ainda a mulher de Sá Carneiro, Snu Abecassis, o ministro da defesa, Amaro da Costa, e sua mulher, o chefe de gabinete do PM, Patrício Gouveia e os dois pilotos do avião.
Estas memórias foram profusamente evocadas nos últimos dias na comunicação social. De tudo o que foi relembrado, um aspecto chamou-me particularmente a atenção: na campanha eleitoral para as legislativas de 1979, que opuseram a AD de Sá Carneiro ao PS de Mário Soares, este último, ou alguém do partido por ele, terá utilizado como argumento de campanha a frase "se Sá Carneiro não consegue governar a sua família, não pode governar o País".
Esta era uma alusão óbvia ao facto de Sá Carneiro, apesar de não conseguir obter da sua (ex-)mulher o divórcio, viver de facto e "de amor" com a dinamarquesa Snu.
Só os tolos conseguem ver em Mário Soares um tolerante bonacheirão. Ele é maquiavélico. Na política, para ele, vale tudo o que for bom para os seus projectos pessoais de poder. Esta frase assassina e estuporada, nascida do pior conservadorismo saloio português, ou foi inventada por Soares ou obteve, da sua parte, beneplácito para ser utilizada em campanha. Isto define um homem. Mário Soares arrependeu-se? Mudou? Está Melhor? 'Tá bem, 'tá!

Revisão da Jornada

Já está, na respectiva coluna, a ligação ao novíssimo blog Revisão da Jornada. Entramos, com esse novo "título", na idade das parcerias. Revisão da Matéria e Merdex juntam-se ali para tratar dos assuntos da bola. Pretendemos, com o novo blog, poder ser de novo catalogados como "óptimo blog de futebol", epíteto com que, em tempos, nos agraciaram (ao "Revisão da Matéria"), mas que tivemos que rejeitar, porque nunca fomos, nem quisemos ser, um "blog de futebol". O "Revisão da Jornada" é-o, assumidamente.
Com esta "criatura", desaparecem daqui textos mais longos sobre a bola. Não passa a ser assunto tabú, mas preferimos reservar este espaço para outras "maricagens" (alguns leitores que deixam comentários são geniais...).
Como diriam na TV, obrigado pela preferência.

Uma coisa realmente importante

Aqui ao lado encontra-se o objecto do meu descontentamento. Trata-se de um aspirador de brincar, equipado com um balde, vassoura, esfregona, pá, limpa-vidros e, pasme-se, luvas do tamanho que as crianças usam!
O pequeno gnomo que ocupou uma divisão cá de casa há 2 anos e meio não descansou enquanto não teve uma coisa destas. Implorou, sorriu, chorou, berrou. deu abraços, deu beijinhos, deu gritos de fugir, até que o banana do pai (NR: eu) não resistiu à pressão, à chantagem emocional e pronto: já cá tenho o trambolho em casa.
Posso estar a exagerar um pedacinho a pressão a que fui sujeito - terão sido, ainda assim, uns longos 5 minutos - mas senti-me como se tivesse sido um processo de negociação de semanas.
E agora, o que é que eu faço? Tenho um puto cujo brinquedo preferido é um aspirador. Socorro!

Etiquetas: ,

Novo Mandamento

A Igreja Católica continua a surpreender-me. Como se já não fosse suficiente ser a orgulhosa representante dos indivíduos "católicos não praticantes" - que contradição de termos! Ou se é, ou não se é. Já alguém ouviu falar de muçulmanos não praticantes? Pois é... - agora vem sugerir-nos uma ideia revolucionária: a de homossexuais não praticantes! Isto nem aos Monty Python nem ao careca lembrava!
Note-se bem:
1º - os padres ainda têm de ser celibatários - sejam heterossexuais sejam homossexuais; na realidade, sendo celibatários, essa distinção perde qualquer sentido. Como se fará o teste?
2º - "Aqueles de tendência homossexual, de características homossexuais ou de alguma forma ligados à cultura gay" não podem ser ordenados sacerdotes. O que é isto, exactamente? Não, a sério: principalmente a terceira componente - ligados à cultura gay. Porra, ligados à cultura gay?! Será que se tem de colocar um dístico de aviso nos CD's dos Delfins: "Atenção - se o seu filho ouvir isto, não poderá vir a ser padre". Mais uma vez: Como se fará o teste?
Como diria o Malagueta: Jesus, Maria e José!

Etiquetas:

A Guerra dos Crucifixos

Aqui vai o que me levou a concordar com João Pereira Coutinho (V. poste anterior):
O Governo português decidiu mandar retirar crucifixos de cerca de 20 escolas no norte de Portugal. Aparentemente, essa acção surgiu na sequência de uma reclamação de proveniência incerta.

Eu sou laico, republicano e socialista. Não me revejo minimamente nesta decisão tomada por quem, também sendo laico, republicano e socialista, aparece como anti-clerical, jacobino e fundamentalista.

Vejam-se algumas reacções: primeiro, de Francisco Louçã, esse génio político: «No ensino público português é tão surpreendente que haja um crucifixo como um símbolo islâmico» (!). A seguir, de Ana Drago: «Se numa escola do interior estivesse pendurado um enchido, um chouriço ou qualquer outra coisa ligada à nossa cultura popular ninguém levantava a questão» (!!?). E Daniel Oliveira também alinhou: «Basta um pequeno gesto de bom-senso para que se agitem os fantasmas. (...) Porque há alunos que são muçulmanos, hindus, agnósticos e ateus. Porque os pais deles, tal como os pais católicos, têm direito a algum respeito».

Isto entristece-me. Sobretudo porque é de uma enorme falta de inteligência, de gosto, de bom-senso. É verdade que não se deve estranhar, principalmente vindo de quem teve a ideia peregrina de acusar Paulo Portas de inelegível para abordar o assunto do aborto por nunca ter gerado uma vida.

Não há ninguém que lhes diga (principalmente ao inteligente Louçã e à inenarrável Ana Drago) que isto são tonterias, idiotices completas? Que são verdadeiros abortos do raciocínio?!

Mas pensam que estão a gozar connosco ou quê?!

Etiquetas:

Eu concordei com ele!

Ainda não recuperei do espanto.

Que estranha conjugação de factores improváveis me terão levado a esta situação, que me embaraça e envergonha? Eu, que deixei de comprar o Expresso desde há uns tempos, confesso que o comprei neste fim-de-semana.
E acreditem - não foi pelo saco de plástico.
Acabei por ler pedaços dessa grande (enorme) obra que se reproduz semanalmente.

Mas o que me deixou envergonhado, afinal?

Pela primeira vez, pela primeiríssima vez, concordei com a coluna de João Pereira Coutinho! Caramba! Nunca me tinha acontecido, é uma estreia completa.

Há colunistas que me servem de contraponto. É um mecanismo de defesa como outro qualquer. Quando tenho dúvidas sobre um dado tema, leio um desses colunistas e já sei o que pensar - costuma coincidir com o oposto das opiniões expressas. Existem opinion makers (Miguel Sousa Tavares, por exemplo) e opinion unmakers (onde pontifica João Pereira Coutinho). E desta vez, João Pereira Coutinho falhou-me. É imperdoável.

Etiquetas:

domingo, dezembro 04, 2005

Revisão da Jornada

Cá está o novo membro da família: um novo blogue, http://revisao-da-jornada.blogspot.com, que se vai especializar em temas de bola. Deu-nos a nostalgia, aqui no Revisão da Matéria, dos tempos em que isto aqui era, nas palavras de anónimos, um "óptimo blog de futebol". Isso foi tudo antes de nos dar para maricagens, declarações de amor a irmãos, parabéns ao papá, discussões sobre otários, maro(s)cas e cavaquismos, monarquias e derrapagens.
Nasceu hoje, conta - por enquanto - com apenas um post, mas aparecerão mais com certeza. É obra conjunta do Revisão com a equipa do Merdex .
Vamos a isso, meus caros!

Etiquetas:

Marítimo 0 - 1 Benfica

Etiquetas:

sábado, dezembro 03, 2005

Porto 1 - 1 Sporting

E pronto, o Sporting já está em primeiro lugar na "Copa BES". Para quem não saiba, este é o muito particular "campeonato" entre os 3 "grandes" que, com o empate de ontem, ficou com a seguinte classificação:

1º Sporting - 4 pontos

2º Benfica - 3 pontos

3º Porto - 1 pontos

Claro que não é isto que importa. O que importa é que o Sporting, ontem, não foi frágil e podia, até, ganhar a um Porto super-apetrechado com craques vários mas que demora muito em encontrar uma equipa digna desse nome. Como prémio, Co Adriaanse já renovou por mais um ano. Pinto da Costa lá saberá por quê...

Na realidade, o Sporting marcou ontem 4 golos, contra 1 do Porto. Deivid marcou dois, um contou, outro, numa boa decisão do árbitro, não. Nani marcou um espectacular golo, anulado sabe-se lá porquê. E, depois, aquele golo de Polga, na própria baliza. Um ponta de lança adversário não teria conseguido fazer melhor. Foi pena.

Do porto, um golo anulado a Lisandro Lopez. Bem anulado, também. Fora esta especial contabilidade, poderão ter ficado por marcar duas grandes penalidades por mão na área, uma contra o Sporting, outra contra o Porto. Não foi por aqui.

Destaques:

Tonel revela-se um grande central, fiável e certinho, sem rodriguinhos, eficaz. Tello não é defesa esquerdo. Foi o elo mais fraco, ontem. Prefiro André Marques (vá-se lá saber o que se passa, realmente, com Edson). Das duas uma: ou dão a Tello oportunidades na sua posição natural, a meio-campo, ou escusam de o "queimar" a defesa esquerdo. Para essa posição, decididamente, não serve. Foi, ontem, o pior jogador do Sporting. Custódio é um grande jogador. Nani vai ser um jogador fabuloso. Carlos Martins parece disposto a agarrar aquela que, na minha opinião, deve ser uma das últimas oportunidades para passar de "promessa" a realidade. Mas lesionou-se outra vez. Espero que não seja nada de grave. João Moutinho cumpre sempre com o que lhe é pedido. Sá Pinto é pura raça de leão, esforçado e com imensas ganas. Está a fazer uma boa última época. Não vou fazer grandes comentários sobre Polga, mas confesso que, dele, espero sempre mais. Rogério é certinho e tem um grande sentido posicional defensivo. Falta-lhe velocidade.

E Deivid. Não tenho muitas dúvidas de que Liedson é melhor que Deivid, mas este está a fazer por justificar a opção do treinador. Pode ser que Liedson aprenda alguma coisa em termos de humildade e de dedicação ao Sporting (ou, se não for capaz disso, pelo menos de profissionalismo). Depois, entraram Pinilla e Wender. Pinilla tem ganas e ainda vai lá, Wender tem que ser capaz de mais e melhor.

Foi um resultado justo, positivo para o Sporting, que até podia ter ganho. Paulo Bento continua sem derrotas. Temos, finalmente, equipa.

Últimas palavras para Ricardo. Exibição concentrada e segura. Ainda por cima, no Dragão. Calem-se os detractores, porque Ricardo vai dar-vos todas as razões para ser o guarda-redes de Bento e Scolari. Parece bem melhor com Bento do que com Peseiro, mais confiante. Grande "Labrecas".

foto de Deivid de Vitor Mota, Correio da Manhã e de Ricardo da BBC

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Coisas realmente importantes


"Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.

Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça."

Fernando Pessoa morreu no dia 30 de Novembro de 1935

Derrapagem



Parece-me que este blog está a derrapar perigosamente. Pode ser da chuva. Por isso, vamos lá, por partes, pôr ordem na casa, ó Rantas:
Factos relevantes:
1. Nos últimos posts, o Rantas foi totalmente assertivo, escrevendo verdadeiras encíclicas, que não cumprem com a conveniente economia textual "blogueira". Menos mal. Pior é ver aqui escarrapachadas as fronhas do Soares e do Cavaco, com uma defesa despudorada do voto no "pai da Democracia". Esta parte do blog (eu) já aqui defendeu que acredita que tanto Soares como Cavaco são, por diversas razões, maus candidatos - podem conferir nos arquivos. Mais, avançámos que estes são os lídimos candidatos do "sistema", do regime político-partidário em que vivemos, causa última da má qualidade da vida política portuguesa. Aliás, é minha convicção pessoal que o regime é muito d'aprés Soares e Cavaco. Por isso e porque, apesar de tudo, sou democrata convicto - podia agora citar Winston Churchill -, e entendendo que um voto, maxime um direito, é também um dever, apoiei a candidatura mais "anti-sistema" que se anunciou, a de Manuela Magno. Tudo escrito em devida altura. É chegado agora o momento de dizer que, apesar de democrata, acredito que a democracia deve ser temperada com um elemento "extra-partidário". Por isso - e por muitas outras razões, que poderei explicar se pedirem muito - esta é também a altura própria para dizer: sou monárquico. Defendo uma Monarquia sem aristocracia (até porque é bem pífia, a nossa suposta aristocracia), só um Rei, que exerça funções puramente representativas e moderadoras, acima e para além de interesses. Real, Real, Real, viva el-Rei de Portugal.
2. Se repararmos, as últimas imagens sobre futebol inseridas neste blog são alusivas ao... Benfica???
É certo que as intenções do Rantas são boas e passam por ridicularizar as, já de si rídiculas, "papoilas saltitantes", mas caramba, um gajo mais desatento ainda pode ser levado ao engano e pensar que, por aqui, somos desses. Não, amigos, à excepção do Malagueta que, dissidência por dissidência, é do FC Porto e, de qualquer maneira, não dá à costa no "Revisão", aqui somos todos "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória". E hoje - a esperança sempre foi a nossa melhor qualidade - vamos festejar uma grande vitória no Dragão. Spooooooorting.


quinta-feira, dezembro 01, 2005

Revisão da Matéria - 1985

Manolo disse «[...] penso que os tempos são de mais disciplina e rigor, sinais e imagens transmitidos muito mais pelo Cavaco».

Disciplina e rigor são valores que prezo muito e que exijo para um Governo.

Nesse aspecto, até se poderia dizer que, num cenário de grande contenção (Governo do Bloco Central, numa das maiores crises que aconteceram nos tempos recentes), Mário Soares foi mais consequente (rigoroso, disciplinado, o que se queira...) do que Cavaco.

Bem sei que isto, dito assim nesta altura - quando já se consolidou e cristalizou a ideia de Soares como um bon-vivant baldas que passa férias nas costas de uma tartaruga e de Cavaco como o regedor de aldeia, de boas contas, que aponta tudo no seu livro de contabilista e descansa na sua vivenda Mariani- poderá parecer uma tolice completa, só para chatear. Até pode ser uma tolice, mas esclareço já que não é só para chatear.

Há que não esquecer o nosso passado: O governo do Bloco Central exigiu um enorme rigor, disciplina e coragem.

A situação era grave: foi isso aliás que obrigou os dois maiores partidos a coligarem-se, num verdadeiro pacto de regime como não havia memória até então nem se voltou a repetir desde aí. O ministro das Finanças desse governo até era mais ligado à área do PSD: o esforçado e sacrificado Ernâni Lopes. Foi a situação social explosiva que se gerou aí que motivou a agressão bárbara a Mário Soares na Marinha Grande, uns meses mais tarde.

Quando a situação melhorou, em 85, Cavaco Silva (ex-ministro das Finanças de Sá Carneiro, mais conhecido nesses tempos por Cavaco e Silva, lembram-se?, que andava a conspirar em grandes politiquices há meses com o seu amigo Eurico de Melo e outros) decidiu disputar o congresso da Figueira da Foz. Logo nessa altura montou o mito de anti-político que ainda o acompanha: foi à Figueira fazer a rodagem de um carro e, sem qualquer preparação nem pré-negociação nos bastidores, roubou o congresso nsa barbas de João Salgueiro. Está bem, abelha! E a gente ainda acredita no Pai Natal!

De seguida, aproveitando a melhoria do estado do País provocada pelas políticas amargas do governo de Mário Soares (que tiveram bons resultados, portanto!), rompeu o pacto de regime que tão necessário fora e obrigou a eleições antecipadas.

Ganhou-as, fazendo o papel de oposição regeneradora (quando o seu partido estivera no governo nos últimos 5 anos, creio...). O que sucedeu de seguida merece algum destaque - aliás, é estudado nas faculdades de Economia (pelo menos na minha era...) como exemplo claro de como os ciclos eleitorais regulam os ciclos económicos: estabeleceu uma política orçamental extremamente expansionista, com elevados gastos públicos, bons aumentos e, sobretudo, um grande deficit orçamental (nesses tempos podia-se...). Foi assim, conjugado com as políticas rigorosas (e mal-amadas) do governo anterior e com a aventura eanista do PRD, e apesar de não ser um político profissional (!), que ganhou duas maiorias absolutas consecutivas e foi Primeiro-Ministro s de Portugal. Sem dúvida um dos melhores que tivémos. Foi-o devido ao rigor? Enfim, é discutível. A conjuntura ajudou-o - como aliás ajudou Guterres, e foi madastra para Soares, Barroso, Flopes e, agora, Sócrates. Os fundos estruturais (resultantes da estratégia delineada por Soares de adesão à CEE, quando muitos falavam apenas na vocação atlantista e africanista de Portugal, há que relembrar) tiveram uma importância decisiva nisso.

O que mais retenho desses tempos é, além dos fundos e das auto-estradas, de uma grande arrogância auto-suficiente e de uma crispação agressiva, por vezes ofensiva, de Cavaco e dos seus ministros. Não é o rigor. Desculpem, posso ter má memória, mas é isso.

No fim do ciclo cavaquista, Cavaco ainda nos brindou com uma das manobras politiqueiras mais asquerosas de que me lembro: o TABU! Recorde-se o que fez Soares nas mesmas condições: informou o País que iria ser candidato a Presidente, e fez jogo limpo. E Cavaco? Também tinha a ambição de ser Presidente. Mas não foi capaz de assumir isso de uma forma transparente como Soares fez: em vez disso, enredou-se e atrapalhou-se em silêncios ensurdecedores.

Isso é esclarecedor: a ambição não é uma coisa má, mas na visão estreita de Cavaco, ela não pode ser nomeada. Os provincianos não gostam disso. Logo, apesar de ser ambicioso (e repito, ainda bem que o é), faz tudo para o esconder. Assim como o aspecto de "ser político". Alguém com o percurso dele não é político? Então é o quê?!

Nestas Eleições, escolheremos um Presidente. Um Presidente deve ter um perfil distinto de um Primeiro-Ministro. Enquanto um dialoga, estabelece consensos, convence, arbitra, o outro decide, impõe, define, manda. Enfim, pode dialogar, também (veja-se Guterres). Mas não basta ter sido um bom Primeiro-Ministro para vir a ser um bom Presidente da República.

Etiquetas: