
Taxa quê?????
O internamento, respectiva duração e "baixa" clínica não são uma escolha pessoal, resultam de decisões médicas. Ninguém é internado num hospital porque quer. Ninguém fica internado por escolha própria.
A "Taxa moderadora de internamento" modera o quê? Os médicos?
"Não será superior a 5 euros por dia", disse o ministro da saúde, Correia de Campos, "porque as pessoas gastam 3,20€ num maço de tabaco, vão ao cinema" e...
Confesso que, a partir daqui, fiquei algo desnorteado. Nem vou arranjar contra-argumentos para tão cretina linha de raciocínio. Ela implode-se a si própria.
Geração "Paga e cala"
Em Portugal paga-se cada vez mais ao Estado, para dele receber cada vez menos.
Um cidadão português da classe média, entre os vinte-e-tal e os quarenta, está cada vez mais fodido.
Creche para os filhos? - Paga
Cuidados de saúde? - Paga. Paga ao Estado e, para teres a certeza de que és bem tratado, paga também um seguro privado. Paga ao dentista. Paga as consultas aos médicos da especialidade porque, no teu centro de saúde, só daqui a quatro, cinco meses.
Segurança Social? - Paga. Não sabemos se vais receber, quando fores velho, alguma coisa, mas cala-te. Paga.
Andar de carro? - Paga. IA, IMC, IPP, portagens...
Segurança rápida e eficaz? - Paga a polícia que nunca aparece a horas e que não oferece segurança nenhuma, a menos que contrates "serviços remunerados". Paga.
Acesso à justiça e aos tribunais? - Paga. Paga ao advogado, paga aos tribunais as escandalosas "taxas de justiça", paga.
Comprar casa? - Paga. Paga o IMT, o IMI, o imposto de selo, as escrituras e registos... paga.
Fumar? - Paga, os cigarros mais os impostos.
Beber?- Paga, o copinho mais os impostos.
Consumir? - Paga. Os bens que consomes, mais os impostos.
Pagamos um preço exorbitante por serviços ineficientes, justiça que não funciona, polícia que mal se vê, pensões vergonhosas para um país europeu, burocracias, desmandos autárquicos, rotundas, estádios de futebol, mercedes-benz pretos, obras públicas que duplicam o orçamento e os prazos, ordenados chorudos de gestores e assessores da coisa pública, estudos, pareceres e comissões, legiões de funcionários ociosos, "direitos adquiridos"...
O estado esbanja e desperdiça o dinheiro que não temos.
Pagamos muito e pouco recebemos.
Que Portugal estamos a contruir? Esta é, também, uma questão geracional. Os que entraram no mercado de trabalho há 15 anos ou menos estão a sustentar uma estrutura que nada lhes dá.
A mensagem continua a ser: paga, paga, paga, paga.
Mas paga o quê, caralho? Chega!
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