domingo, julho 11, 2010

Avaliações dos professores


Um dos temas dos últimos anos que mais me deixou irritado foi o da avaliação dos professores. É verdade que a anterior Ministra não teve nem engenho nem arte para atingir os objectivos a que se propunha. No entanto, independentemente do estilo pessoal da ex-Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, esses objectivos eram e continuam ser muito válidos. Tenho muita pena que a nova Ministra tenha alcançado uma "vitória" ao fazer as pazes com a classe dos professores, porque isso constituiu uma derrota das pessoas de bom-senso em Portugal que, apesar de não irem para a rua gritar, entendem que o qualquer modelo de avaliação sem "numerus-clausus" não permite avaliar coisa nenhuma.

Vem isto a propósito de uma entrevista da antiga Ministra da Educação à Visão, onde apresentou um livro sobre o seu longo consulado à frente do Ministério, e principalmente por causa de uma carta que saiu na última edição dessa revista, onde um leitor (José Carvalho, de Chaves), afirma o seguinte: «(...) a docência necessita de uma conjugação de esforços e saberes dos seus diversos agentes para enfrentar as crescentes dificuldades com que a escola pública se depara. Não necessita de um processo de avaliação de desempenho que contribua para instaurar a divisão. As divisões e as diferenças entre os docentes deverão ser usadas para os complementar, e não para os rotular».

Este discurso enjoa... na actividade profissional que desempenho, desde há 18 anos que sou sujeito a avaliações de desempenho, com impacto em aumentos e promoções. Naturalmente que isso contribui para diferenciar , a mim e aos meus colegas de trabalho. Uns são melhores, os outros não alcançam o mesmo nível de excelência. Os melhores devem ser premiados, os outros devem ser desafiados a melhorar. Já tive anos com boas avaliações, outros anos tive avaliações mais-ou-menos. Sempre fui à luta para manter o que de bom me apontavam ou para aprender a fazer melhor. Não é para me gabar, mas ao olhar para quem tinha melhores avaliações do que eu, fui aprendendo a ser um melhor profissional naquilo que faço. Um modelo de avaliação tem de ter "numerus-clausus", caso contrário, ficamos todos contentinhos, porque somos todos muita bons. E continuaremos a sê-lo mesmo sendo desmentidos todos os anos pela nossa triste realidade...

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terça-feira, junho 26, 2007

Sem palavras, mau demais


«Eleições intercalares em LisboaFernando Negrão mete os pés pelas mãos em entrevista e confunde EPUL com Ippar e com EPAL
25.06.2007 - 20h04 Ana Henriques

O candidato do PSD à Câmara de Lisboa, Fernando Negrão, enredou-se hoje numa série de equívocos pouco abonatórios do seu conhecimento da autarquia.

Numa entrevista ao Rádio Clube Português, Negrão começou por defender a extinção do Instituto do Património Arquitectónico(ex-Ippar, actual Igespar) por este organismo ter deixado de construir habitação para os segmentos mais carenciados da população para acabar por declarar que a EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa) “é, como todos sabemos, a empresa de abastecimento de água de Lisboa”. Contactado pelo PÚBLICO, o candidato explicou que tem “dificuldade em lidar com as siglas”, problema que “se acentuou” com “a pesada estrutura da Câmara de Lisboa”. De agora em diante, tenciona recorrer a um truque: “Vou começar a dizer o nome das instituições por extenso”, para evitar enganos.

Durante a entrevista, o candidato acabou por lançar suspeitas sobre o instituto que tem por missão defender os monumentos nacionais e outros imóveis de reconhecido valor, o antigo Ippar: “Se está no mercado a fazer concorrência directa aos construtores civis e aos promotores imobiliários não tem qualquer razão para existir. Ou regressa à sua vocação inicial, dar habitação a segmentos [da população] sem capacidade económica, ou extingue-se”. Mesmo depois de o jornalista João Adelino Faria lhe ter chamado a atenção para o engano, Fernando Negrão continuou baralhado: “Eu estava a falar do Ippar, não da EPUL. Queria falar da EPUL”. E, logo a seguir: “A extinção que admito é a do Ippar”. E quando por fim entrou no tema EPUL foi para se alongar sobre os desperdícios de água na cidade, confundindo desta vez a empresa com a EPAL.»

in Publico (ver aqui)

Não conhecia esta costela soarista de Fernando Negrão. Creio que nos esperam alguns anos engraçados em Lisboa, sempre que perguntarem a este futuro vereador algo sobre a cidade.

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domingo, maio 27, 2007

Ele não é uma vaca

Na edição de ontem do Expresso saiu uma entrevista com Fernando Negrão, o candidato do PSD para a CML. O título dessa entrevista clama que "António Costa não é uma vaca sagrada".
Fiquei na dúvida sobre o profundo significado desta frase. O António não é uma vaca. Será que isso quer dizer, nas entrelinhas, que a Helena, pelo contrário, é?

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quinta-feira, maio 03, 2007

O Director-Sol

Sou leitor do "Expresso". Quando saiu o "Sol", também o li, durante umas 4 semanas, talvez. Pareceu-me uma cópia do "Expresso", que sai a perder na comparação.
Há dias, calhou ler uma edição do "Sol" onde o Arquitecto Saraiva dissertava sobre os brindes que acompanham os jornais. Concordei com a análise efectuada por ele quando referia os efeitos negativos nas vendas quando acaba uma série de brindes, se bem que me pareça um pouco exagerada a comparação que ele fazia com a toxicodependência.
Confesso que não sou grande leitor de jornais - é só mesmo o "Expresso", e não é pelos DVD's de borla. Confesso também que sou um grande comprador de brindes - guardo religiosamente as 20 ferramentas do "Bob, o Construtor" que acompanharam o jornal "24 horas" (sem nunca ter comprado sequer um exemplar desse "jornal"), bem como várias séries de livros publicadas com o "Público" - o Tintim, o Lucky Luke, livros de aventuras e agora o Spirou. Fiz a colecção dos 50 Prémios Nobel editados pelo "Diário de Notícias", mais uma vez sem comprar o jornal. Há tempos o "Automotor" (que nunca comprarei na vida, porque trata de um assunto que não me interessa minimamente) despertou-me a atenção porque anunciou a publicação de uns livros do Michel Vaillant, mas parece-me que foi falso alarme, nunca cheguei a encontrar nenhum nas bancas (alguém sabe se chegaram a publicar algum?).
O que me espantou foi o ódio mortífero que o Arquitecto Saraiva dedica às pessoas como eu. Apelidar as pessoas que compram jornais por causa dos brindes ou que nem sequer os compram e só pagam pelos brindes de "oportunistas, parasitas e sanguessugas" não será um exagero retórico? Ou é sinal de desespero total?
Que me lembre, foi a segunda vez que fui insultado nos media. A primeira foi no seguimento da tragédia de Heysel Park, na final entre Juventus e Liverpool há mais de 20 anos, em que alguém falava dos energúmenos que, perante tanta mortandade na televisão, esperavam impacientemente que a porcaria do jogo começasse.

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quinta-feira, abril 12, 2007

Presunção de inocência

Saber se Sócrates fez alguma coisa para beneficiar da obtenção de uma licenciatura "simplificada" não é uma questão menor. É uma questão de saber do carácter de quem nos governa.
Algumas das suspeitas levantadas nas últimas semanas foram suficientemente pertinentes para merecer explicações de Sócrates.
Na entrevista, o primeiro ministro fez por justificar a presunção de inocência. Sócrates escolheu, para terminar a licenciatura, uma universidade de merda. Esse é o seu "pecado capital", que muitos procuram explorar e não perdoar.
Muitos dos que põem agora em causa o percurso académico do primeiro ministro obtiveram uma licenciatura que beneficiou de passagens administrativas. Vamos questionar todas essas licenciaturas agora, reabrir e investigar todos os dossiers, ou percebemos que foi um "ar do tempo" em que não há necessariamente culpados?
José Alberto Carvalho e Maria Flor Pedroso não aguentaram a pressão. Estiveram, ao longo da entrevista, desconfortáveis, tensos, crispados. Sobre a licenciatura de Sócrates, não exploraram alguns dos aspectos mais nebulosos.
A saber: uma das cadeiras não foi dada pelo regente, mas sim directamente pelo reitor. Porquê?
As outras quatro cadeiras foram todas dadas por um mesmo professor. É normal, faz sentido?
Alguns dos colegas de turma de Sócrates disseram que não se lembram de o ver nas aulas nem nos exames.
Estas questões ou não surgiram, ou esgotaram-se em explicações insuficientes.
Sócrates diz que se vê na incrível posição de ter de refutar acusações que ninguém é capaz de provar. Mas vamos lá a ver: são conhecidos e, infelizmente, recorrentes, os casos de alegados médicos ou advogados, por exemplo, que exercem a profissão até ao dia em que alguém põe em causa as suas habilitações académicas. Cabe-lhes fazer prova de que possuem o "canudo", não é? Porque há-de o primeiro ministro ser diferente?
AInda assim, penso que Sócrates fez ontem por merecer a presunção de inocência. Obteve a licenciatura numa universidade duvidosa, o que certamente lhe terá dado jeito, e é por isso detentor de certificados e diplomas cuja autenticidade ainda ninguém pôs em causa. Ou questionamos todas as licenciaturas até hoje concedidadas pela Universidade Independente e quejandas, ou esta questão se arrasta penosamente, com efeitos nefastos para o País.
Após a entrevista de ontem, quem tiver provas de que Sócrates obteve favores, avance. Quem não tiver, cale-se. A suspeição deve ceder à presunção de inocência. Sócrates sai, necessariamente, fragilizado, mas espero que recupere, porque isto é menos mau com ele do que sem ele. As alternativas são sinistras.
A declaração de Marques Mendes foi patética. Diria o que disse, independentemente das explicações de Sócrates. São assim, os abutres.
PS: É extraordinário este país, em que um doutor ou engenheiro usado como nome próprio vale mais respeito do que qualquer demonstração de competência. Rais'ta parta esta bimbalhice.

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quarta-feira, abril 11, 2007

A grande cabala jornalística

Ontem, assisti na SIC Notícias a um debate que, com certeza, faz parte de uma grande cabala que tem por fim último apresentar o primeiro-ministro José Sócrates como... grande vítima de uma estratégia maquiavélica.
Porquê?, perguntam vocês. Ora, é muito óbvio. O debate foi promovido, dias a fio, com o nome "O silêncio de Sócrates".
O que é que vos vem à cabeça, assim de repente, perante a frase "O silêncio de Sócrates"?
Vá lá, não custa nada. Exactamente. Isso mesmo! "O silêncio dos inocentes".
E aí está como, por livre associação de ideias, "Sócrates" substitui "inocentes", ficando esse nexo latente no nosso subconsciente: Sócrates, inocentes, Sócrates, inocentes...
Engenhoso, não é? Ai, engenhoso não, que ainda é confundido com engenheiro.
Teorias da conspiração, cada um forma as que quer.

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terça-feira, abril 10, 2007

Jornalismo irresponsável

Na capa do caderno de economia da última edição do Expresso, uma das manchetes era: "Facturas no último dia do ano salvam resultados da TAP ". Depois, em desenvolvimento, lê-se que a TAP facturou à Grounforce 8 milhões de euros no último dia de 2006, o que terá permitido à transportadora aérea apresentar lucros de 7,3 milhões de euros no exercício de 2006.
Lê-se ainda que a Groundforce contesta essas facturas e que se recusa a pagar, o que teria como consequência a revisão dos resultados da TAP em baixa, passando a apresentar prejuízos de 0,7 milhões de euros em 2006.
"Vigaristas, estes gestores brasileiros da TAP", pensei eu quando li o Expresso. "Aparecem como sendo a última maravilha da gestão, mas afinal são é uns habilidosos malabaristas...", terei acrescentado para com os meus botões.
Afinal, a notícia do Expresso, ou pelo menos o título garrafal escolhido, parece desprovido de qualquer fundamento. Quem não deve ter achado nenhuma graça foram os gestores da TAP, os trabalhadores da empresa, o accionista (Estado), fornecedores, etc...
Os jornalistas que assinam a peça do Expresso, a direcção do jornal e os editores responsáveis deviam ter vergonha. E pedir desculpa. Assim se perde a credibilidade.

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quinta-feira, março 08, 2007

Pequenos gestos

O jornal "24 horas" iniciou uma campanha que consiste em vender uma ferramenta do Bob o Construtor, duas vezes por semana. Em simultâneo, todos os dias sai uma carteira com 2 cromos do Bob, o Construtor.
A campanha foi lançada com a afixação de anúncios em outdoors (à vista do Pequeno Gnomo, portanto), o que me retirou qualquer veleidade de ignorar o que se passava e de não aderir (entusiasticamente, claro!).
Comprar as ferramentas ainda é como o outro. Custam 1,5 euros cada uma, mas geralmente o pessoal dos quiosques e das tabacarias vendem-nas separadamente, o que se torna mais simples de gerir. Já os autocolantes tornam a coisa mais complicada, porque como são de borla, obrigam a comprar o jornal.
Como 0 "24 horas" não vale o papel em que é impresso, é perfeitamente estúpido comprar o jornal só para lhe extrair os dois autocolantes, já que lê-lo está fora de questão.
Hoje passei pelas Amoreiras e fui a um quiosque comprar a ferramenta (sai às segundas e quintas). Acabei por fazer o movimento de comprar também o jornal, mas fui à procura dos malditos cromos e não estavam lá. Perguntei por eles à moça do quiosque que me disse que estavam guardados à parte. Quando soube que eu queria era os cromos e não queria o jornal para nada, perguntou-me se por acaso eu quereria os cromos de outros dias que eu não tivesse. Dirigi-lhe o meu melhor olhar de Bambi, tipo "pai destrambelhado a precisar de ajuda", e respondi-lhe que lhe agradecia imenso se ela me fizesse esse favor.
Acabou por ir ao armazém procurar pelos cromos e deu-me 4 ou 5 carteirinhas. Teve trabalho, não ganhou nada com isso, não tive de pagar nada (só a ferramenta). Fiquei optimamente, não pelo dinheiro que poupei, mas por ter encontrado alguém que se prontificou a fazer-me um favor sem receber nada em troca. Foi um pequeno gesto que me engrandeceu o dia. Só espero que ela se tenha sentido tão bem quanto me fez sentir a mim.

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terça-feira, março 06, 2007

50 dias

Todos nós temos uma carapaça para nos protegermos das misérias de que vamos tomando conhecimento. Com tantas guerras, calamidades, explosões, acidentes e crimes com que somos inoculados pela televisão, rádio e jornais, ficamos insensíveis aos pequenos dramas.
Eu, pelo menos, fico, principalmente à pequena criminalidade que inunda invariavelmente as manchetes dos jornais mais sedentos de sangue. Notícias do neto que matou o avô, violou a avó, bateu na mãe e coisas que tais, parecem-me sempre ecos de um país imaginário, onde a realidade se mistura com os delírios de uma imprensa de rapina que pinta o quotidiano de tinta vermelha, com facalhões e enxadas e gente abrutalhada.
Há uns dias ouvi no rádio uma notícia que abriu uma fenda na minha carapaça. Um homem (um pai!) foi condenado a 10 anos de cadeia. A mulher (a mãe!) foi condenada a 4,5 anos. O crime dele foi violar a filha, o dela foi ter sido cúmplice. A filha tinha 50 dias. 50 dias de vida, não chega a 2 meses. Com dois meses nem sequer se é um bebé, ainda se é um recém-nascido. Com 50 dias de vida a garota deu entrada num Hospital tipo com uma fissura anal, hemorragias internas e o raio. Esteve em coma durante uns tempos. Com 50 dias, não chega a 2 meses.
Esta é a notícia que terá provocado pequenos guinchos de satisfação na redacção do '24 Horas', com aumentos da tiragem. Quem chafurda na lama tem de tirar algum prazer disto. Mas não foi propriamente isto que me afligiu. Estas coisas acontecem e, por mais que se faça, continuarão a acontecer. Só instalando um Big Brother (o do 1984, do Orwell, não o de 2001, do Moniz) é que se poderia impedir esta podridão, mas substituindo-a por uma coisa pior.
O que mais me impressionou nesta história foi saber que a menina, que entretanto recuperou do coma, está a viver com a avó. Não sei se a avó paterna se a materna, mas está ali à mão, para o que der e vier. Quando os pais saírem da prisão, a sua filhota estará ali para as curvas, e isso é necessariamente um pensamento reconfortante para os pais. Para o pai principalmente - se quando a miúda tinha 50 dias de vida o animal lhe fez aquilo, o que lhe fará quando a moça tiver 10 anos?
Alguma alma mais compassiva poderá dizer que tudo irá acabar em bem, que a estadia na penitenciária será breve porque os outros presos não costumam perdoar este tipo de crimes. Afinal, quem já está dentro não tem muito a perder, e acidentes acontecem.
Eu não consigo conceber que a garota continue com a família biológica. O que tem de acontecer para que a família biológica perca totalmente o direito a uma criança? Têm de a matar? Que lei é esta, que salvaguarda o direito de uma família manter a custódia de uma criança mesmo depois de a violar selvaticamente aos 50 dias de vida? 50 dias, porra. Não chega a 2 meses.
Que merda de lei é esta, que permite que estejam cerca de 18.000 crianças institucionalizadas e apenas cerca de 700 sejam adoptáveis? O que é preciso fazer? Furar olhos?

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quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Unir os portugueses?

Segundo o Público, "O Presidente da República admitiu ontem que o referendo à despenalização do aborto 'pode ter causado rupturas na sociedade portuguesa' e apelou a 'soluções de bom senso, equilibradas e ponderadas' para a nova lei.
Para Cavaco, não se pode 'rejeitar a possibilidade de estabelecer consensos alargados' numa matéria que 'pode ter causado rupturas na sociedade portuguesa'"
O comentário que vou fazer às declarações de Cavaco não tem a ver com o caso em concreto (referendo à despenalização do aborto) nem com o apelo que o PR faz a "soluções de bom senso, equilibradas e ponderadas". Muito menos rejeito a possibilidade de, em política, se procurar sempre, em todas as situações, estabelecer "consensos alargados".
Mas o que me irrita no discurso é o tom de preocupação com as "rupturas na sociedade portuguesa". Afinal, acho que o que mais falta faz a este País são justamente algumas rupturas com o "consensozinho contentinho" em que quase sempre vivemos. Creio que, passado o PREC, nem o 25 de Abril trouxe grandes rupturas ao status quo e modus operandi da sociedade portuguesa (o latim dá sempre um toque de je ne sais quoi - já para não falar do francês - aos textos).
Do que precisamos mesmo, na sociedade portuguesa, é de algumas rupturas. Cavaco, já se sabe, não é homem para alinhar nisso.

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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Dubai's Secret

Não costumo ler "A Bola". Tão pouco leio a National Geographic. Felizmente, tenho o privilégio de ler o Mãos ao ar, um dos melhores blogs portugueses, e acompanhei aqui as reportagens sobre o Dubai que as duas publicações produziram.
Um dos pontos sensíveis das duas reportagens referia-se à lingerie da "Victoria's Secret" usada debaixo dos véus pelas mulheres muçulmanas. Após esforçada investigação, eis que consegui obter um documento comprovativo do que é afirmado na National Geographic e reiterado por "A Bola". Eu cá nunca fui ao Dubai, mas uso o Google...

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sábado, janeiro 20, 2007

Estranho silêncio

Através do Tugir, chego ao estranho caso da jornalista freelancer portuguesa Rute Monteiro, que terá sido sequestrada em Outubro do ano passado, no Líbano. Mais estranho ainda por só agora, em finais de Janeiro, ouvir falar pela primeira vez do assunto.
Os blogues chegaram à história e interrogam-se. A comunicação social virá a seguir?
A história e o silêncio que sobre ela até agora existiu serão"mito urbano" ou bizarra realidade?

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quarta-feira, janeiro 10, 2007

Jornalismo a sério numa revista cor-de-rosa

Já há bastante tempo que considero que a revista Única, que acompanha o Expresso, se tornou uma revista cor-de-rosa (pois se até dá guarida à Leonor Pinhão!). Não que a leveza da revista me desagrade - antes pelo contrário, julgo que até complementa bem o jornal. Mas todas as semanas ressalta na revista uma nota dissonante - a coluna "Quem TV", escrita por jornalistas da SIC (Rodrigo Guedes de Carvalho, Mário Crespo, José Alberto Carvalho) que tratam de forma séria temas sérios relacionados fundamentalmente com a profissão de jornalista e com a essência do jornalismo. Uma nota muito positiva!

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quarta-feira, janeiro 03, 2007

O princípe que era um sapo

Li, numa revista feminina, uma notícia engraçada - numa manhã de domingo, a Família Real de Lisboa dirigiu-se à Pastelaria Versailles, na Av. da República, para um brunch. Mas - que chatice! - a plebe não fica fechada em jaulas, pelo que o Grande Pensador não arranjava lugar para estacionar. "Eis uma iniciativa legislativa a tomar em consideração quando o Filósofo voltar a um lugar de Poder", pensava ele, enquanto deixava a viatura em segunda fila - ou à má fila, como se costuma dizer - e deixava a sua adorada Babá, juntamente com o pequenates, ocupar uma mesa na Pastelaria.
Mal o Grande Democrata se lhes tinha juntado quando foi novamente perturbado por um membro da populaça - um agente policial a mandá-lo (a ele, suprema desfaçatez!) tirar o carro dali. "- Mas você sabe quem eu sou?!", rugiu o Grande Educador. Aparentemente, não sabia.
Talvez, se lhe perguntasse se ele sabia quem era a mulher, tivesse mais sorte... mesmo que soubesse com quem estava a falar, é natural que o senhor agente não levasse muito a sério as ameaças de um vereador que nem sequer comparece às reuniões da Câmara. Que conseguiu perder umas eleições para o Carmona. Que apenas se notabiliza por ser casado com a Babá, pelo seu mau-perder e pelo seu espírito rancoroso.
Se os episódios do "não aperto de mão" e da publicação daquele livrinho nojento não chegassem para se entender esta personagem, esta história com certeza que ajudará - um homem arrogante, mal-disposto, com a mania que é cão com pulgas e armado ao pingarelho. Um homem derrotado, que se julga acima da lei. Um príncipe (por ser casado com a Babá) que afinal não passa de um sapo feio.
Aposto como tem mau-hálito e se peida como um Pinto da Costa.

P.S. - Dizem-me que o Grande Professor desmentiu a notícia. Enfim, pode até não se ter passado desta forma e isto tudo não passar de mais uma cabala contra o Grande Intelectual. Mas lá que é crível, é... e a esse facto não será alheia a arrogância da personagem.

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terça-feira, janeiro 02, 2007

Maradona a metro

Através do vidro duplo, leio uma notícia surpreendente - maradona escreve no metro. Acho muito bem, ao menos esses textos não serão apagados!


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domingo, dezembro 03, 2006

A campanha publicitária da TV Cabo

Miguel Sousa Tavares desanca, no Expresso, a recente campanha publicitária da TV Cabo. Que é isto, que é aquilo, que os criadores que tiveram a ideia deviam ser despedidos, que é uma vergonha. Que a TV Cabo deveria ir a tribunal porque a campanha é insultuosa.
Concordo com tudo excepto com a parte do tribunal. A campanha é um bocadito imbecilóide, sim. Apela ao humor burgesso que existe em todas as sociedades, concedo.
Onde discordo profundamente é no recurso aos tribunais com temas destes. Não há melhor tribunal do que a opinião pública, e uma fraca adesão à campanha e um baixo retorno do investimento farão cumprir uma sentença muito mais justa do que qualquer uma que fosse imposta pelo tribunal.
É assim que se vive em democracia, com liberdade de expressão e com um mercado livre. E ainda bem que assim é!

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quinta-feira, novembro 23, 2006

"Queremos tipo coisas fixes"


Simplesmente genial, esta foto do Hernâni Pereira dada hoje à estampa na primeira página do Diário de Notícias. Capta perfeitamente as principais exigências dos estudantes que ontem se manifestaram. Aquele cartaz, empunhado por um rapazola que até tem um certo ar de "marrão", quase de Bill Gates em potência, resume aquilo que vai na cabeça destes jovens: "Queremos tipo coisas fixes"...
Será que, nas "aulas de substituição" podem, pelo menos, ensinar os jovens estudantes a fazer cartazes que digam alguma coisa?
Ainda assim, cá para mim, levavas era tipo uma palmada.
(Não sei porquê, não consigo tornar a imagem visível. Mas se "cliquarem" em cima do rectângulo em branco, abrem uma janela onde ela aparece.)

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Osóriadas

Depois do excelente trabalho desenvolvido para "relançar" o jornal "A Capital", Luis Osório está agora a "relançar" o Rádio Clube Português. Quanto tempo até à falência? Aceitam-se apostas...

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terça-feira, novembro 21, 2006

Update

Hoje, ainda não tive tempo - e já não vou ter - para ler os jornais (DN e Público, as minhas leituras diárias, às quais acrescento, por vezes, A Bola). Mas estou com a sensação de que não perdi nenhuma notícia importante. À parte, claro, aquela palhaçada do Veiga do Luxemburgo. Mas isso não é importante.

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segunda-feira, novembro 13, 2006

Jornal do Incrível

Este fim-de-semana li uma verdadeira notícia, no Expresso - coisa que, nos tempos que correm, não é de somenos registar, convenhamos...
Dizia a notícia que um Serviço Público, com 11 funcionários e custos de funcionamento de mais de meio milhão de euros por ano, se dedicava, porfiada e diligentemente, a lidar com aspectos relativos ao Serviço Cívico incorrido por todos os mancebos que se apresentassem como objectores de consciência ao Serviço Militar Obrigatório (SMO) - o Gabinete do Serviço Cívico dos Objectores de Consciência (GSCOC), que depende directamente da Presidência do Conselho de Ministros. O Governo, dizia a notícia, vai cortar nas despesas, reduzindo-as este ano para cerca de 200 mil euros. Parece-me bem. Um corte de 60% é sempre positivo. Claro que agora os pobres Objectores de Consciência deixarão de se dedicar a actividades tão cívicas, mas também é preciso relativizar as coisas. Afinal, como o SMO acabou há cerca de 3 anos, os Objectores tornaram-se um pouco - como direi - obsoletos. E se eles se tornaram obsoletos, o que dizer deste GSCOC? Onze almas, cívicas com toda a certeza, bem-intencionadas, decerto, o que farão da sua vida? Hein? Três anos a jogar ao Solitaire, a lutar por uma carreira, a manter privilégios de funcionário público, e agora, o que fazem? Fecha-se o Serviço, sem mais nem menos?!
Tantos processos ainda a tratar, tanta papelada, tantos carimbos por dar, e fecha-se o Serviço? Estou inconsolável. Esta vida é uma porca, sempre a pregar-nos partidas. Agora que se estava a abrir uma vaga na Repartição, agora que o Antunes ia para a reforma e eu ia herdar o gabinete dele, com aquele PC onde até dá gosto ver pornografia na net e jogar ao sudoku, é que me fecham o Serviço? Quem é que me paga por estes anos de devoção à causa da Objecção de Consciência?
Isto, infelizmente, apesar de ser incrível, não é inteiramente ficção. O GSCOC existe mesmo. Mais - neste momento, no portal juventude.gov.pt, continuam a referir-se os procedimentos a seguir pelos jovens objectores de consciência para não cumprirem o SMO!
Todos estes serviços públicos, pagos com o dinheiro dos contribuintes, a esfregar as costas uns aos outros, de ineficiência em ineficiência, de improdutividade em improdutividade, de deficit em deficit. De greve em greve? Faltou de facto um apontamento de reportagem importante no Expresso - os funcionários do GSCOC aderiram à greve dos funcionários públicos? E - mais importante ainda - alguém deu por isso, porra?

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