A ferro e fogo
Foi bonito, aquilo que se viveu em Portugal em 1999. Uma comunhão de vontades, a expressão popular, vigílias, indignação, panos brancos nas janelas, minutos de silêncio, o pacote todo.
Nunca Portugal se sentiu tão Portugal, tão orgulhoso de si mesmo, da sua História, do seu lugar no Mundo, como nesses dias heróicos - à excepção do Europeu de 2004. E do Mundial de 2006, talvez. Bom, o Europeu de 2000 também contribuiu para o orgulho nacional... mas, fora isso, só mesmo Timor!
Timor Loro Sae, o grande Xanana Gusmão, Pai da Pátria, a saga portuguesa nos confins do Mundo, o império contra-ataca.
Agora, em 2006, estas ideias fazem pena. Timor não tem capacidade para ser um país independente. Não o deveria ser. Xanana é um flop, não tem um pingo de ideia do que é sentido de Estado, os timorenses são profundamente imaturos. A independência pesa-lhes, tem-lhes sido amarga.
Não defendo que Timor deveria ter continuado sob administração indonésia. Mas existiam outras soluções intermédias, que permitiriam ir criando as capacidades que faltam para que a independência apareça naturalmente.
As manifestações de tanto desvelo por Timor impediram - ou dificultaram bastante - que essas soluções intermédias fossem consideradas, sequer. Esse é o preço a pagar quando se deixam as emoções "de todo um Povo" intervir em assuntos de política internacional.
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