terça-feira, setembro 26, 2006

Quem quer ser espanhol?

Ao segundo número, consegui comprar e ler o "Sol", que agora (hoje, terça-feira) ainda se amontoa nos pontos de venda, ao contrário do número 1, que esgotou em todo o lado.
No novo semanário do arquitecto, em primeira página, leio "sondagem: um quarto dos portugueses preferiam ser espanhóis". Acto contínuo à leitura deste título, dou comigo a papaguear a classe política, "as sondagens valem o que valem".
Depois, vem a reflexão. Em primeiro lugar, acho que é mais o que nos une aos espanhóis do que o que nos divide (historica e culturalmente falando, para além de uma certa "latinidade" do "ser", algo indefinível mas latente). No entanto, ser português ou ser espanhol (ou alemão, francês, italiano) não me é indiferente.
Na análise das repostas dos que se mostram favoráveis à integração de Portugal numa qualquer Iberia ou Hispania, sobressai o aspecto económico. Os portugueses que se dizem favoráveis à integração são-o porque entendem que isso potenciaria o desenvolvimento económico e social de Portugal.
Ora, isso não é, para mim, factor suficiente. Nem Portugal é tão atrasado, social e economicamente, em relação a Espanha - não quero, com isto, negar a evidência de que Espanha nos supera, neste aspecto - que justifique esta solução, nem a razão económica se deve sobrepor a todas as outras. E todas as outras - mais as emotivas, admito, mas também muitas racionais - me impelem a ser totalmente contra essa hipotética integração.
Olho até com um certo olhar desaprovador e, também, piedoso, para os meus compatriotas que manifestam opinião favorável.
Gosto de ser português. Tenho orgulho de ser português. Somos diferentes. Nem melhores, nem piores, só diferentes dos outros povos. Podemos orgulhar-nos, sem complexos,do caminho que temos percorrido enquanto nação. Mas isso, os espanhóis também. A nós, falta-nos a soberba que eles têm em excesso.
A propósito, existe aquela pequena anedota em que se pergunta "sabes o que é o ego?", que tem como resposta "é o pequeno espanhol que existe dentro de cada um de nós".
Ser português é sabermo-nos pequeninos, pobrezinhos, mas livres, trabalhadores e lutadores. É sabermos olhar para o lado e compreender as diferenças do "outro". Por isso mesmo, é sentirmo-nos bem em Espanha ou em qualquer outro país do mundo, e compreender que esse mundo tem cada vez menos fronteiras, pelo que é preciso reforçar cada vez mais a nossa identidade. Como portugueses. Ser espanhol é ser nada. Há galegos, catalães, bascos, etc..., tudo gente que inveja a nossa liberdade. Ser castelhano, isso sim, é julgar que o mundo gira à nossa volta. Ao quarto dos portugueses que gostavam de ser espanhóis (ou castelhanos), sempre digo que a viagem é curta. Nós, por cá, iremos bem. Pequeninos, pobrezinhos e honradinhos. Em Portugal, meu País.
Em "contra-sondagem" ao universo de leitores do RdM, deixo a pergunta:
Quem quer ser espanhol?
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15 ComentÁrios:

Blogger Capitão Haddock disse...

Ranys - "para além de uma certa "latinidade" do "ser", algo indefinível mas latente)" - tu andas a tomar alguma coisa para o estômago?

26 setembro, 2006 13:09  
Blogger El Ranys disse...

Tens alguma coisa para dizer, ó sacripanta Haddock, ou vieste só deixar a graçola?

26 setembro, 2006 14:14  
Blogger Harpic disse...

Jo no!

27 setembro, 2006 07:35  
Blogger El Ranys disse...

Uma resposta negativa, nenhuma a favor.
Extra, extra: sondagem: 100 por cento dos portugueses recusariam ser espanhóis.

PS: este resultado é intercalar. A sondagem, como a luta, continua.

27 setembro, 2006 17:02  
Blogger Alex disse...

Eu não quero ser espanhol. Sou e serei sempre Português com muito orgulho. Tenho dito, e é minha convicção, que o 1º de Dezembro de 1640 é o nosso grande erro histórico. Penso que a longo prazo a Espanha e Portugal poderão formar uma União Ibérica.
Voltarei a este tema num post no Merdex.
Saúdinha

30 setembro, 2006 19:06  
Blogger Rantas disse...

Este tema a mim não me aquece nem me arrefece. Português ou espanhol, eu quero é ser feliz.

03 outubro, 2006 00:37  
Blogger El Ranys disse...

"Passear na praia,
amar e ser feliz, ahah
é o que mais quero na vidaaaaaaa
Ter amor e muito amor p'ra dar
Vem amor, vamos passear".

03 outubro, 2006 12:45  
Blogger El Ranys disse...

Perdão,é "passear contigo, amar e ser feliz, ahah
é o que mais quero na vidaaaaaaaaaa"
Os saudosos Broa de Mel.

03 outubro, 2006 12:55  
Blogger Dever Devamos disse...

Também acho que a questão económica não é importante. Mas a possibilidade de jogar na melhor liga de futebol do mundo é!

03 outubro, 2006 14:10  
Blogger El Ranys disse...

Actualização de resultados:
- "Recusaria ser espanhol": duas respostas (identificáveis: eu e Harpic);

- "Preferiria ser espanhol, mas só por causa do campeonato de futebol (ver o Sporting a jogar regularmentes com o Real, o Barcelona, o Valencia e assim, equipas mais do seu nível": uma resposta (Dever Devamos)

- "Sou português com muito orgulho, mas a 'União Ibérica"...":
uma resposta (Alex)

- "Espanhol? Eu quero é ser feliz": uma resposta (Rantas).

Esta sondagem começa a ficar algo inconclusiva, mas continua em curso. Votem.

04 outubro, 2006 11:19  
Anonymous Anónimo disse...

Ni la mayoría de portugueses quieren ser españoles ni la mayoría de españoles quieren que los portugueses sean españoles, quizas en un futuro los dos estados se unan para formar un único Estado Ibérico pero eso queda aun muy lejos.

12 outubro, 2006 11:29  
Anonymous Anónimo disse...

eu estou-me nas tintas para ser português apenas, ou cidadão de um estado ibérico unido. O que importa é a identidade cultural e não a definição política. Senão, pq entrar na UE que a longo prazo levará inevitavelmente ao federalismo? Sinto-me europeu e gosto de o ser, sinto-me português e gosto de o ser e sinto-me transmontano e gosto de o ser e como sabem só Portugal tem estatudo de país. O que não aceitaria nunca (e parece que era isso que os espanhóis queriam) era uma fusão dos estados...mas a capital era madrid, a língua era o castelhano, e o rei era o Juan Carlos...bem, que bela união...isso parece-mem uma submissão...

Filipe

19 outubro, 2006 11:23  
Anonymous Anónimo disse...

En un estado realmente liberal, de mínimos, en el que cada uno use al máximo su libertad personal, importaría poco el país en el que uno residiera. Cada uno debería elegir su modo de vida y sentir la tradición e identidad cultural como lo que realmente es; resultado de la casualidad. No hay nada inmanente en las patrias, las rocas no hablan portugués ni español, la identidad es lo que uno ve cada mañana al afeitarse y compara tristemente con la foto de diez años atrás. Los sistemas políticos deberían elegirse para maximizar las opciones y la libertad de cada persona.

29 outubro, 2006 21:58  
Blogger rwillmsen disse...

" la identidad es lo que uno ve cada mañana al afeitarse y compara tristemente con la foto de diez años atrás"

¡Que divertido! ¡Y viva Iberia, ya!

http://rwillmsen.livejournal.com

28 março, 2007 17:53  
Anonymous Anónimo disse...

viva iberia, no estoy de acuerdo con lo que dicen que ser español o ser castellano es lo mismo. Yo soy andaluz y español pero no castellano. Creo que ha ha querido usar demagogia del siglo xvii.

12 janeiro, 2010 00:28  

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