segunda-feira, janeiro 22, 2007

João Gonçalves, o pequenino

O João Gonçalves é “licenciado em Direito”. Como tal, o João Gonçalves até podia ser juiz. E, se o João Gonçalves fosse juiz, o sargento da GNR que, sem cumprir qualquer requisito legal, se apoderou há quatro anos de uma menina que não é dele e que, desde há três anos, anda a desobedecer às ordens de um tribunal, dizia eu, se o João Gonçalves fosse juiz, “votava vencido”.
O João Gonçalves acha que o “bonitão” (???) que, desde há três anos, reclama junto do tribunal pela devolução da sua filha, é um pulha interesseiro que só está nisto por dinheiro. Esta é a sentença exemplar do João Gonçalves para o caso.
O João Gonçalves acha que a decisão é legalista. Se o Sargento da GNR tivesse cumprido a primeira ordem do tribunal, a menina tinha vivido 9 meses com ele e, desde então, sem grandes consequências, os restantes anos (já lá vão mais de três) com o verdadeiro pai.
Ao João Gonçalves não lhe interessa saber que este pai foi inúmeras vezes bater à porta do Sargento para reclamar a filha que é sua. Não lhe interessa, apesar de “licenciado em direito”, a leitura do acórdão e os factos nele contidos. Não lhe interessa reconhecer o relevo jurídico de um homem andar há três anos a gozar com os tribunais, facto agravado por esse homem ser da GNR ("Pela Lei e pela Grei"). Não lhe interessa também tentar perceber porque é que as autoridades nada fizeram para que se cumprisse uma ordem do tribunal.
Um casal fez sua uma filha que não o é. Passados alguns meses, o verdadeiro pai inicia uma luta pelo seu direito de ser pai. Já lá vão três anos. Ao João Gonçalves não lhe interessa saber se o pai biológico se arrependeu do primeiro momento em que negou a paternidade, com base em indícios que lhe permitiam duvidar da veracidade desse estatuto. Não ocorre por um momento, ao João Gonçalves, que o pai biológico queira mesmo ser pai da sua filha.
O João Gonçalves não hesita, não pára.
Para o João Gonçalves, é tudo cristalino: o “bonitão” (???) é um pulha interesseiro. A juíza uma insensível legalista.
Ao João Gonçalves só interessa arrotar sentenças rápidas. Felizmente, apesar de “licenciado em Direito”, o João Gonçalves não é juiz.

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6 ComentÁrios:

Blogger Nelson disse...

gosto da pluralidade de opiniões entre os autores do tasco. sim senhor, isto é democracia e liberdade de expressão.

23 janeiro, 2007 21:49  
Blogger Rantas disse...

Nelson,

Neste caso, nem se pode dizer que discordo muito do El Ranys.
O ponto essencial na argumentação dele, na minha leitura, é retirar a carga "maléfica" que se colou ao pai biológico da criança. Eu também considero que a forma como ele tem sido pintado é pouco séria, especialmente neste retrato do João Pequeno. Sobre isso concordamos a 100%.

Sobre quem consideramos que deveria ficar com a guarda e custódia da criança, poderemos discordar, apesar de não termos ido sequer por esse caminho. Onde também concordamos inteiramente é em como esta batalha se tgrava entre duas partes cheias de razão e em como a actuação da Justiça deixou muito a desejar - primeiro, ao deixar-se tourear pelo casal "adoptivo". Depois, ao não se aperceber da desumanidade desta decisão tão tardia. Tanto pela desproporcionalidade da pena como pelo facto da situação ser hoje completamente diferente da que existia há 4 anos atrás.

Sobre aquilo que se pode considerar o ponto essencial da questão, creio que discordo do Ranys, sim. Sobre isso vou fazer um post autónomo, até porque este comentário já vai longo...

24 janeiro, 2007 00:10  
Blogger Capitão Haddock disse...

«Felizmente, apesar de “licenciado em Direito”, o João Gonçalves não é juiz.»

Acrescento - não é juiz, mas é indubitavelmente pequenino. Pequenino, no sentido de mesquinho, bem entendido

24 janeiro, 2007 12:49  
Anonymous Anónimo disse...

´Sem comentários! Este pessoal está-se a burrifar para a criança!
Impera a lei do espermatozóide, que fabrica por aí filhos e abortos à toa e nunca é responsável por nada!

26 janeiro, 2007 01:50  
Blogger Ana disse...

Parabéns pelo seu artigo.
Subscrevo-o inteiramente.
Só lamento que não seja juíz e que não tivesse estado presente no Tribunal de Torres Novas, para bem da Esmeralda, pois teria sabido decidir com mais responsabilidade, sensatez e descernimento que os que lá estiveram!
Ana

26 janeiro, 2007 03:20  
Blogger Zheng junxai5 disse...

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