terça-feira, outubro 17, 2006

Sem nhónhós



Acabo de ver o excelente documentário que passou ainda agora na :2 sobre Luiz Pacheco (creio que em repetição).

Figura controversa, o escritor é para uns génio excêntrico e, para outros, demente apatetado. Uma coisa, pelo menos, é certa: em tempos de discurso politicamente correcto, sabe bem ver um documentário que termina assim:

"Pedem-me para deixar uma mensagem às novas gerações (...), àqueles que estão agora a começar? - Puta que os pariu!"

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3 ComentÁrios:

Blogger Rantas disse...

"Puta que os pariu".
Isn´t that special?, como perguntava a senhora no Saturday Night Live.
Que bonito. Parece-me uma coisa ao nível de um João César Monteiro, a mandar o pessoal foder-se.

Não tendo nada de mais inteligente para dizer, um arroto. OK, nada contra. Mas soa-me, devo dizer, a um ligeiro atraso. Uma adolescência retardada, uma vontade quase-infantil de chocar os outros. Ai que feio, o menino disse um palavrão!

Haja pachorra...

18 outubro, 2006 22:30  
Blogger El Ranys disse...

És dos que acham o homem um demente apatetado?
Curiosidade: já alguma vez leste alguma coisa dele?

De qualquer modo, teve piada.
Normalmente, um escritor daria conselhos, diria que não dá conselhos ou mandaria a malta trabalhar muito. Diria tudo, menos "puta que os pariu". Choca-te?

19 outubro, 2006 01:13  
Blogger Rantas disse...

Não o acho um demente apatetado. Aliás, não o acho coisa nenhuma - a primeira (e única, quer-me parecer) coisa que li dele foi mesmo esse excerto que aqui colocaste dele, esse belo pedaço de prosa, esse magnífico pensamento. "Puta que os pariu!". Que beleza poética, que sentimento de paz se abate sobre nós, quando ouvimos essa mensagem telúrica deste grande vulto das letras portuguesas!

Se me choca? Não. Tenho basicamente a mesma reacção que tinha quando o Herman José fazia aqueles números com a Lídia Franco, a "Senhora Dona Palmira", e mandava uns peidos, dizia asneiras e apalpava-a toda. É um pouco boçal, um pouco alarve, mas tens razão, dá para desopilar. Enfim, menti, reconheço que menti um pouco - com o Herman, achava piada, a este não acho. Eu estou mais velho, já não encontro nenhum encanto num gajo que faz por ser chocante.

Imagino que este gajo tenha estado, ou gostasse de ter estado, no movimento okupa do Rivoli. É onde os "artistas" têm estado fechados, julgo.

20 outubro, 2006 00:41  

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