sexta-feira, julho 25, 2008

Uma boa ideia

Há uns dias atrás, no meio do zapping, dei por mim a ver uma curta-metragem espanhola, num canal qualquer da Fox. Um homem contava a sua vida amorosa a alguém atrás da câmara. Depois de relatar dois namoros falhados, o senhor explicava como tinha recorrido a um expediente muito à mão - a masturbação. Satisfação garantida sem problemas, sem maus humores, sem conversas da treta. Mas, passados uns tempos, começou a sentir-se incompleto, insatisfeito. Talvez lhe faltasse um pouco de convívio... passou então a masturbar-se no meio de grandes aglomerações - centros comerciais, estádios de futebol.

Mas não era suficiente. E foi assim que o tipo, ao tentar descobrir algo que lhe permitisse alcançar a satisfação sexual plena, descobriu a masturbação anal (confesso que desconhecia totalmente o conceito, mas nesta altura do filme estava já embasbacado).

Entretanto, no meio de tanta felicidade, descobriu, no meio do acto, uma coisa que não deveria estar no sítio onde estava. Depois de ir ao médico, verificou que era um corpo cancerígeno que, não fosse o caso de ter sido descoberto tão cedo, lhe poderia ter causado a morte.
Depois de mostrar a alegria do homem quando se consciencializou que a masturbação anal lhe salvara a vida (ora aqui está uma frase que nunca na vida pensei escrever!), o filme terminava com um anúncio: "O cancro do recto é a segunda causa de mortes por cancro, em todo o mundo. Faça regularmente um auto-exame".

O que me leva a escolher este tema para este regresso, depois de tanto tempo sem postar? Dois motivos - 1º, achei bastante piada ao filme, confesso. O 2º motivo, o mais importante, foi o post do Redus Maximus sobre a energia nuclear. Porque ao mostrar esta ideia que, na essência, é uma boa ideia (afinal, visa reduzir o número de mortes por cancro) e é fácil de aplicar (enfim, está à mão de semear...), não passa de uma anedota bem imaginada, simplesmente porque é pouco prático. Nem com todo o voluntarismo do Mundo se há-de convencer o pessoal a enfiar o dedo no cu, certo?

É exactamente o mesmo que penso sobre a segunda proposta do Redus, a que mata as vacas e deixa os peixes em paz. Não é prático convencer as pessoas a comer soja com lentilhas, ou sei lá o que comem os vegetarianos. Não se pode atacar levianamente alguns marcos distintivos da nossa civilização, como a picanha ou a posta à mirandesa!

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quinta-feira, agosto 23, 2007

Demonstração da existência de Deus

Estou de férias.
É um período pouco dado a pensamentos teológicos, bem sei, mas devo dizer que passei por uma experiência religiosa inolvidável. Finalmente, agora acredito piamente que Deus existe.

Para uma mente simples, pouco exigente e não talhada a religiosidades profundas, a prova em como Deus existe poderia limitar-se ao facto de estar a passar férias num apartamento no Algarve que pertence aos meus sogros - ou seja, a estadia é de borla.

No entanto, não me satisfaço com isso. Isso para mim não demonstra que Deus existe e que é bom para mim. Ná, não me rendo tão facilmente. Armado com o meu espírito científico (sim, apesar de me ter licenciado em Economia, gosto de acreditar que tenho um espírito um bocadinho científico), estava à espera de uma prova definitiva e inquestionável.

E ei-la, a prova! No apartamento onde estou, existe um esquentador. E uma banheira com chuveiro. Quando estou a tomar banho, acontece sempre a mesma coisa - a água está quentinha, passo o controlo para o chuveiro e nem passam dois minutos para que a água esteja gelada. O esquentador continua ligado, não há fuga possível para a água quente. Se mantiver a água a correr na torneira da banheira, ela continua quente. Em qualquer outra torneira da casa - lavatório da casa-de-banho, cozinha - a água quente flui ininterruptamente. Quando passo para o chuveiro - pimba! - água fria.

Este facto tem-me feito pensar bastante no sentido da vida, para onde vamos e de onde viémos, para além de me interrogar sobre o que se passará nos canos, no chuveiro, no esquentador.

Cheguei à conclusão que o que se passa viola todas as leis da física. É, portanto, um sinal divino da presença de uma entidade superior. Deus existe. E não me grama, o velhote.


Nota - Esta história de chamar "velhote" a Deus não é original. É um plágio descarado de um texto dos Gato Fedorento. Desculpem a explicação, mas... eu chamo-me Luis, sim, mas não me chamo Filipe Menezes.

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segunda-feira, junho 04, 2007

Devia haver uma lei...

Actualmente, fazem-se leis para tudo. Proíbe-se o fumo em restaurantes e discotecas mesmo contra a vontade dos donos, limita-se em 500 euros a generosidade familiar isenta de impostos, até mesmo se pune um desgraçado que conta uma anedota inócua sobre o primeiro-ministro. Há úmas semanas atrás, li no Expresso a opinião de um artolas qualquer que defendia que se devia proibir o uso do sal na comida. Se não comêssemos sal, seríamos todos muito mais saudáveis. Se ninguém fumasse ao nosso lado, seríamos todos uns atletas, certamente.

Há tempos, defendi aqui que, antes de se ir atrás dos fumadores, se deveria pensar nos donos dos cãezinhos que emporcalham as ruas de Lisboa. Isso sim, era civismo!

No meio deste furor legislativo, admira-me como ainda ninguém se lembrou de uma outra medida que faz ainda mais sentido do que todas as outras. Hoje fui cortar o cabelo e sucedeu uma coisa que detesto - os dedos do barbeiro cheiravam a chouriço! Se há coisa que incomode mais do que isso, sinceramente não conheço.

Saliente-se que o fumador passivo pode mudar de sítio, ou mesmo pedir ao fumador que apague o cigarro. Os passeantes podem desviar-se da caganitas de cão. Um freguês desavisado não pode fazer nada quando lhe aparece um barbeiro com dedos que cheiram a chouriço! Qual é o momento mais indicado - quando ele tem uma navalha nas mãos e nos tira as medidas da nuca ou quando vai buscar a tesoura pontiaguda que agita à frente dos nossos olhos? Pois pois...
Para quando uma medida que de facto defenda os nossos direitos e proíba terminantemente os barbeiros de comerem chouriço em horário de expediente? Hein? Para quando um político com visão de futuro que acabe com esse martírio a que nos sujeitamos para dar cobertura aos chouriços dos barbeiros? É tudo a mesma corja, só querem é poleiro!

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sábado, fevereiro 17, 2007

Modernices


Gosto de ir a casas-de-banho com estilo. Casas-de-banho onde se veja que houve um trabalho sério, de design, para que um gajo se sinta bem. Mas não gosto de modernices, de exageros.

Lembro-me de um bar em Lisboa (terá sido no Garage?) onde os urinóis eram tão modernos, tão modernos, e os lavatórios tão estilizados e lindos, que vi um indígena a mijar no lavatório (confundiu-o com um urinol) e depois ficar aflito à procura de um... lavatório para lavar as mãos! Lembras-te, Manolo?

Recordo com carinho uma casa-de-banho num restaurante em Salvador da Baía, o Trapiche Adelaide. De modo a evitar o mau-cheiro, os urinóis estavam cheios de rodelas de limão e cubos de gelo. Ideia engraçada. É verdade que, quando voltei ao meu lugar, mandei para trás o meu gin tónico, mas na verdade achei-o um urinol simpático.


Estas memórias vieram a propósito do urinol do hotel onde costumo ir lanchar. As casas-de-banho estiveram fechadas cerca de 2-3 meses, em obras. Depois de reabrirem fui lá dar uma mija. Ambiente asseado, novos mármores... sim senhor! Gosto de mijar em ambientes sofisticados. Pus-me na posição e comecei a função. A meio, apagou-se a luz. Perturbado, com a micção a meio, acabei de mijar às escuras, coisa que detesto. Quando estava a sacudir a pinga, a luz acendeu-se. Enfim, uma falha.

Passados uns dias voltei lá. A história repetiu-se - a meio da função, a luz apagou-se. Apercebi-me que o animal que pariu este WC botou uns detectores de movimentos que accionam a luz. Quando não detectam qualquer movimento durante um período de tempo, a luz desliga-se. Eu não sei como é convosco, mas eu quando mijo tenho a mão direita na pila enquanto a mão esquerda assenta por baixo, entre o escroto e a braguilha, não se vá dar algum acidente! Nesses preparos, não resta muito espaço para fazer quaisquer gestos que não sejam os óbvios - corpo imóvel, só o chichi é que oscila pendularmente ou, no máximo, em movimentos circulares.

Quando vou a essa casa-de-banho, saio sempre de lá a barafustar contra o gajo que definiu os intervalos de tempo para a luz desligar. Para não mijar às escuras, a única alternativa que resta reside em fazer movimentos detectáveis pela célula fotoeléctrica. Fazer isso com as duas mão ocupadas e sem sair do sítio onde se está, é demasiado exigente para mim. Tenho que começar a aviar-me noutra casa-de-banho...

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domingo, fevereiro 04, 2007

Confissão:

Contraí a doença do Século XXI

É chegado um momento penoso para mim e que tenho andado a adiar. Tenho de confessar, finalmente, um mal que me aflige, a doença do nosso tempo que apanhei. Uma pandemia que ataca todo o Planeta, a peste insidiosa que afecta os nossos comportamentos em sociedade, que mina a produtividade e que prejudica a concentração. Que deixa equimoses evidentes no corpo, mazelas de noites bem passadas e mal dormidas e que pesam como chumbo à luz do dia, quando surge necessidade de as justificar.
É verdade. Contraí a doença do Século XXI. E foi a minha mulher que me inoculou esse veneno, contra tudo o que é habitual neste tipo de histórias vergonhosas. Foi na noite da véspera de Natal. Um embrulho inocente que me mudou inteiramente a vida. Rasguei-o e apareceu-me, esplendoroso, como todas as drogas duras que criam habituação à primeira - uma caixa, do tamanho de uma caixa de DVD. Na capa, um Deco sorridente anunciava - Pro Evolution Soccer 6. Para os iniciados, o PES6, simplesmente. Mais forte que cavalo.
Comecei a jogar no nível 5, o mais fácil, Principiante. Cedo comecei a sentir a falta das emoções do início e tive de aumentar a dose. Estou agora no nível 4, Amador. Conheço muitos janados que já se passaram para o nível 3, Regular. Conheço um ou dois agarrados de nível 1, Top Player! Ao fim da primeira semana a cobertura de borracha do joystick caiu. Tenho agora dois dedos da mão esquerda a perder a pele, sintomas evidentes de um joystick muito usado e com arestas abrasivas.
Sinto-me cada vez mais isolado da realidade, vivo num Mundo Virtual. Para mim, o mês de Janeiro foi fantástico em termos de transferências. Não consigo entender as críticas à gestão de Soares Franco. Ao fim da 4ª época, contratei Luís Figo e Cristiano Ronaldo. Ao fim da 5ª, coloquei Didier Drogba ao lado de Liedson! Estou a preparar-me para aumentar a dose. Ou isso, ou começo a tomar medicação.

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sábado, janeiro 27, 2007

Uma outra causa justa e nobre

Desculpem lá, mas depois da Questão Esmeralda só me apetece dissertar sobre temas que agitem as nossas consciências cívicas. Os "Grandes Assuntos", aquilo que deveria juntar multidões. Causas que nos fazem sair de casa, que nos fazem gritar até que a voz nos doa - a Democracia, a Liberdade, o Aborto, eu sei lá!, tantas questões importantes que há para aí que por vezes quase nos obscurecem o raciocínio e não nos permitem ver outras grandes causas que existem à frente do nosso nariz!
Este post de hoje pretende ser um acto de cidadania, um alerta, um apelo mobilizador sobre um flagelo que todos os anos assola as ruas do nosso Portugal - os Pais Natais dependurados! Bem sei que estamos em Janeiro, mas só hoje descobri oblogdePaisNataisdependurados, que foi fundado em Dezembro de 2005 e já conta com duas campanhas bem sucedidas na divulgação deste cancro que corrói a nossa sociedade.
Em Dezembro, contem connosco. O Revisão da Matéria nunca fugiu a nenhuma luta e também não viraremos a cara a esta. Quando regressar a Cruzada, diremos "Presente!".

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sexta-feira, dezembro 29, 2006

O Pai Natal e o Menino Jesus


O Natal foi uma festa cristã que celebrava o nascimento do Menino Jesus. Transformou-se numa festa pagã que celebra a reunião de família, a comezaina e os presentes. A sua componente espiritual praticamente desapareceu sem deixar rasto e no seu lugar ficou apenas o hedonismo.
Sinto-me muito mais à vontade com o Natal do Pai Natal, esse pachola, símbolo publicitário da Coca-Cola, do que com o Natal do Menino Jesus. Um traz-nos uma orgia desenfreada de compras, de comida, de prendas, de luzes, e um perú. O outro queda-se pela Missa do Galo, que como é sabido visa apenas atrasar a entrega dos presentes às crianças sedentas de rasgar embrulhos, pequenos selvagens que não têm culpa das paranóias religiosas dos pais.
Este ano, celebrei o Natal cá em casa. Das 49 pessoas previstas para o dia 24, apareceram 60. No dia 25 fomos apenas uns 30.
As prendas cobriam praticamente uma das divisões da casa. Só de espólio de Natal o Pequeno Gnomo sacou uns dois metros e meio, três metros de prendas, que o entreterão durante pelo menos uns 15 dias.
Toda a gente comeu e bebeu à vontade e, quando se chegou ao final do dia 25, ainda havia quase tanta comida e bebida como quando tínhamos começado.
Do lado da religião, tivémos um pequeno presépio e duas velas.
Bom, com isto tudo quero dizer que o Natal está assim praticamente expurgado da sua vertente religiosa e espiritual, sendo um espelho fiel da sociedade em que vivemos. Ao contrário de grandes pensadores e de grandes constitucionalistas, acredito firmemente que o grande contributo da sociedade ocidental europeia é o laicismo, não o cristianismo. Só numa sociedade verdadeiramente evoluída, livre e laica seria possível publicar esta imagem, que eu roubei despudoradamente do blog quase em português.
A finalizar - adoro o Natal! Boas Festas para todos!

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segunda-feira, dezembro 18, 2006

Surpresas do Google

Ele apareceu por aqui com um ar inquisitivo. Veio pelo Google, esperançado em como iria obter todas as respostas às suas mais íntimas perplexidades. Com a sua pesquisa, gritada em maiúsculas no seu minúsculo T1 em Lisboa, contava conseguir mudar de vida, dar o salto, pertencer ao jet-set. Não foi aqui no Revisão da Matéria que encontrou o fim da sua busca.
A minha perplexidade mantém-se. Como raio é que o Revisão da Matéria aparece na primeira página do Google quando se pesquisa "COMO FAZER UM BOM BROCHE", porra?!

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domingo, dezembro 17, 2006

Uma sugestão para o Natal...

Uma ideia tirada daqui. No Natal queres dar uma prenda original, gira, inesquecível, mas não te consegues lembrar de nada assim? Cá está a prenda salvadora - tinta! Mais exactamente, tinta para cabelo. Não esse cabelo, totó, mas sim o da xafarica. Há em 5 tons - auburn, black, blonde, brown e, a minha preferida para a quadra natalícia, fun (é a cor-de-rosa, hot pink, cof cof). Ali, onde um pentelho grisalho pode mudar a vida de uma pessoa, a Betty Beauty criou uma nova linha. Aconselho uma visita para uma mirada nos textos publicitários (cada tom tem um texto específico). Deixo-vos com o rosa-choque:
«Hot pink means play. Adventure down below! Celebrate! The first safe color for the hair down there. Funbetty is a hot pink party in a box! Funbetty color for the hair down there. Go girl, it's your birthday! Or your anniversary or your wedding or his birthday! It's the perfect gift.
Follow the easy directions for safe color. Natural-looking. No mess. No drip. Use it every time you want candy! Fun is where you find it! Get your betty ready!
».
E sim, também foi assim que aprendi que "betty" é como se diz xafarica em cámone. Não entendi bem o que ela quer dizer com o "natural-looking"... achei fantástico a parte da candy!

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terça-feira, dezembro 12, 2006

Da bloga (I)

O Revisão da Matéria tem estado em serviços mínimos, como decerto terão reparado os indefectíveis visitantes que por aqui têm aparecido. Trata-se do resultado de uma conjugação de dois factores, sendo que o primeiro consiste na recente paternidade do El Ranys, que passou a consumir o seu tempo a babar-se para cima da filha, a mudar-lhe a fralda, a mostrá-la a familiares e a amigos e - ainda e sempre - a babar-se de orgulho pela excelente obra feita. O segundo factor tem a ver comigo, com uma certa falta de tempo (em compensação, já não tenho caixotes espalhados em casa!).
As audiências do RdM têm caído a pique. Não há Monicas Belluccis que nos salvem. Isso acabou por fomentar uma pequena reflexão da minha parte sobre o acto de blogar, por que é que escrevo aqui, para que é que isto serve.
Gosto de escrever - aliás, foi um hábito que readquiri no blogue! - é impressionante como perdemos o gosto pelo acto da escrita, que se passa a resumir a actas, mails e memorandos enfadonhos.
Gosto de ser lido. Sem levar muito a peito a questão das audiências, gosto que as pessoas passem por cá, que gostem do que lêem aqui, que regressem à procura de novos textos.
Gosto também de registar algumas reacções mais engraçadas ou mais imprevistas do meu filho, para que essas memórias não se percam e ele possa mais tarde recordar. Tenho aliás um blog só para isso...
O blog acaba também por ser um espaço de debate, de discussão, de troca de ideias, onde cada um regista a sua opinião, sem gritos, sem interrupções, de modo a expressar as suas ideias, as suas indignações, os seus amores, os seus ódios, os seus insultos, porque concorda e porque discorda.
É também uma janela para um Admirável Mundo Novo, onde o que conta é aquilo que se escreve, independentemente do nome de quem o escreve. Um espaço de Liberdade, de escolha individual, de procura!

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Da bloga (II)

Para a natureza tuga, o acto de elogiar é pior do que cuspir na sopa. É muito mais fácil a maledicência, a ofensa, os insultos. E tem muito mais piada, invariavelmente! Por outo lado, o anonimato permite verdadeiras atrocidades nas caixas de comentários e não só.
Mas a blogosfera não tem só esse lado negro.
Blogar é um acto social. Criam-se cumplicidades, comunidades, amizades, inimizades, antipatias.
Os destaques, os links, as referências acabam por ser um prémio que recompensa a qualidade, a perseverança, o esforço, a criatividade ou todas estas características.
Frequentemente, recompensa-se um gesto simpático. Muitas vezes, fazem-se fretes - os chamados "broches".
Na blogosfera não se pode propriamente falar de fretes, porque ninguém é obrigado a fazer nada que não queira. Falemos antes de broches. Um bom broche pode traduzir-se num link, num post elogioso, numa operação de charme. Pode reduzir-se mesmo a uma simples frase de incentivo numa caixa de comentários.
O mundo dos blogs não seria o mesmo nem teria o mesmo vigor sem os broches. Há quem os faça muito bem - devo dizer que o El Ranys é muito batido na arte - eu por mim vou fazendo uns tantos por aí, alguns com muito prazer, devo dizer! Passo a exemplificar a técnica, no post seguinte.

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Da bloga (III)

Recordo-me de uma aula de Instrução Militar que tive há quase 30 anos (chiça! Isto visto deste modo quase que me deixa mais velho!). O instrutor - o Caralhinho, creio que era a alcunha do Major, devido à sua pequena estatura e à careca luzidia e vermelhusca - esforçava-se por transmitir a cerca de 30 putos de 10-11 anos, alunos do Colégio Militar, algumas noções básicas de higiene.
Perguntava ele, com as veias salientes na sua glande careca, "Mesmo quando estiverem com muita pressa, há 3 coisas que têm de lavar todos os dias. Quais são essas 3 coisas?".
As primeiras respostas surgiram rapidamente - os sovacos e os pés. "Muito bem! E a terceira coisa?", perguntava ele aos gaiatos impúberes, que já olhavam para ele de esguelha, sem fazerem puto de ideia de qual seria a terceira coisa. "Fica no meio das pernas!", ajudou ele. "Os joelhos", gritei eu, contentíssimo por ter descoberto a chave do enigma. "Não, porra, é a tomatada!", urrou o Caralhinho, vermelho de fúria.
É um ensinamento que nunca mais esqueci - se bem que naquela altura me parecia bastante mais proveitoso lavar os joelhos, sempre sujos de andar a brincar no chão, do que propriamente a "tomatada", mas enfim...
Bom, vem esta história a propósito do pouco tempo que tenho dedicado à blogagem. Por muito ocupado que esteja, tento sempre cumprir os serviços mínimos, que se resumem a visitas ao maradona (com muita pena minha, nunca retribuídas), ao grande Bulhão Pato e ao hiperactivo nelson. Quando posso dispôr de mais uns minutos, ainda vou à controversa maresia, ao herdeiro de Aécio e ao olhe que não, shô doutor!

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quinta-feira, outubro 12, 2006

A minha atitude face ao desporto

Não sou um desportista. A minha relação com o desporto esgota-se no sofá, diante da Sport TV.
Esta semana, por motivos que não vêm ao caso (chamemos-lhe uma singela comemoração por fumar há cerca de 25 anos, ou um pouco mais), a minha médica recomendou-me vivamente a prática de desporto - correr numa passadeira, pedalar numa bicicleta.
Não sei o que fazer. Até aos meus 14 anos, idade com que saí do Colégio Militar, pratiquei muitos e variados desportos - atletismo, andebol, judo, esgrima, ginástica, ténis, basquetebol, voleibol e mesmo futebol.
Lembro-me ainda das minhas últimas prestações desportivas. No liceu, num torneio de futebol, fui derrotado por 19-3, 6-4 e novamente por 19-3. Registe-se que a derrota por 6-4 foi contra a equipa feminina. O último jogo de voleibol em que entrei fui presenteado com duas boladas intencionalmente dirigidas ao meu escroto. Não me lembro do resultado, porque sou um gajo bem informado ("à terceira é de vez") e desisti a tempo. No basquetebol tive uma prestação muito melhor mas que ainda hoje me surpreende. É um desporto em que é raro um empate a zero, mas foi o que sucedeu. No andebol cheguei a atingir a selecção do Colégio Militar (os bons jogadores preferiam jogar futebol, e fiz parte de um plano de contingência), mas não se pode afirmar propriamente que as minhas exibições sejam recordadas com saudade. Aproveito aliás a oportunidade para pedir desculpas sinceras ao indíviduo que derrubei por mais de uma vez no mesmo jogo, originando a marcação de penalties contra a mnha equipa e ameaças de retaliações contra a minha pessoa. Nunca cheguei a perceber como é que o gajo caiu. Nesse jogo, a propósito, fomos copiosamente derrotados pelo Pilão (Instituto dos Pupilos do Exército).
Não sei o que fazer. Não se inventou ainda um comprimido que tenha os mesmos resultados mas sem a parte do esforço físico? Será que se eu começar a ir às massagens, num spa, obtenho os mesmos resultados? Agradeço respostas a estas questões nesta caixa de comentários, por favor.

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terça-feira, setembro 26, 2006

Revisionismo Histórico

Cada vez mais se fazem exercícios de ficção histórica. Recentemente, foi editado um livro com 7 textos que mudavam a História (EUA continuavam uma colónia inglesa, a Alemanha tinha ganho a I Guerra Mundial, Hitler tinha ganho a Estaline, etc). Em diversos blogs (por exemplo, O Amigo do Povo), publicaram-se análises sobre o que teria acontecido de o Rei D. Carlos não tivesse sido assassinado em 1908, ou a biografia de uma personagem fictícia (aqui, aqui, aqui e aqui).
Confesso que gosto bastante deste tipo de coisas - reinventar a História, imaginar desenvolvimentos diferentes, traçar novas causalidades.
E proponho-vos um desafio - escolher quem mais tenha contribuído, pela sua acção histórica, para moldar o Mundo em que vivemos actualmente.
Na minha opinião, a personalidade que mais "desenhou" o nosso Mundo, foi Abraham Lincoln.
Poderia escolher alguém mais antigo (Cristo, Maomé, etc), mas creio que nesses casos perde-se um pouco o sentido do exercício.
Poderia eleger Lenine, mas depois da queda do muro, isso não é já tão evidente, certo?
Bom, então porquê Lincoln? Lincoln assegurou, através das suas acções, a unidade dos EUA. Decidiu partir para a Guerra Civil, contra os Estados secessionistas. Independentemente da bondade dos seus actos (fim da escravatura, direito à auto-determinação dos "sulistas"), o facto é que o século XX teria sido completamente diferente se os EUA se tivessem separado.
Supondo que o território do que são agora os EUA teriam ficado divididos em duas nações (se Lincoln não tivesse tomado a decisão de combater a tentativa de secessão), à partida teremos também de prever que não seriam as nações mais amigas do Mundo - tanto pela secessão como pelo padrão típico das alianças internacionais, que resultam num padrão em xadrez: A é vizinho de B que é vizinho de C. A e C tornam-se aliados.
O facto de os EUA não estarem unidos significa que não teriam ajudado tanto os ingleses na I Guerra Mundial, nem tinham acabado por entrar na Guerra. Ou, por outro lado, até poderiam ter entrado na Guerra mas contra um País vizinho, que seria por sua vez aliado das Potências Centrais (basicamente, aquilo que os alemães tentaram, com o famigerado telegrama Zimmerman para o México).
Acredito que este facto teria contribuído para que os Impérios Centrais (Alemanha, Austro-Húngaro, Otomano) tivessem ganho a guerra. É necessário lembrar que a derrota se deveu à exaustão completa dos recursos alemães, mas em termos militares nunca nenhum exército inimigo entrou na Alemanha. Esse foi um dos factores, aliás, que explicam a ascensão de Hitler - o sentimento de traição de quem estava nas trincheiras quando os "políticos" se renderam.
Os resultados práticos dessa guerra teriam diferenças substanciais dos que na realidade sucederam - mantendo-se os Impérios Austro-Húngaro e, sobretudo, o Império Otomano, a História teria sido completamente diferente!
Não teria existido o infame acordo Sykes-Picot, que tanta raiva anti-ocidental provocou, não teria acontecido a II Guerra Mundial (pelo menos nos moldes em que esta tomou lugar. Se tivess ocorrido uma guerra, teria sido a França a tomar a iniciativa, e a Alemanha teria tratado do assunto rapidamente - como aliás aconteceu na realidade), não teria sucedido o Holocausto. Existiriam algumas colónias que teriam passado para administração alemã em 1918, a título de compensação (inglesas, francesas, belgas, portuguesas, ...). Não teria acontecido a Guerra Colonial, nem a descolonização de 1974.
O Mundo estaria melhor ou pior?
No período em que houve 2 super-potências (EUA e URSS) existiriam 3 super-potências: URSS, Inglaterra e Alemanha. Acredito que nessas condições não tomaria lugar a União Europeia. O Império Otomano acabaria por se dividir, de forma mais ou menos sofrida. Não existiria Israel.
Inclino-me a afirmar que o Mundo estaria melhor...

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sexta-feira, setembro 15, 2006

Bem visto!

Em A minha vida dava um filme indiano:

"Erotic is when you use a feather. Exotic is when you use the whole chicken."

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terça-feira, setembro 12, 2006

Estranhos fenómenos da blogosfera

Encontram-se coisas estranhíssimas na internet. No outro dia, estava eu a passear e quando dei por mim estava aqui - um blog que publica fotografias exclusivas das sanitas dos leitores! Esse mesmo blog linka outros com especializações ...ããããh... digamos... estranhas.
Um blog especializado em fotografias de frigoríficos, outro apenas direccionado para botas, um outro para umbigos, mais um para passarinhas, ainda outro para mãos, um escpecialista em dedos médios, mais para pantufas, janelas, sofás, camas, cuecas, secretárias, estantes, malas, olhos... que coisas estranhas que se apanham na blogosfera. Isto já para não falar do urinal. Isto está a tornar-se perigoso para passear...
A propósito do que por aqui se disse há uns posts atrás sobre um blog chamado "Tetas & Bolas" - ontem fui lá espreitar. Fiquei banzado - é um verdadeiro fenómeno! Tem uma audiência média diária de 72 visitas - e esta média é apurada sempre sobre os dados dos últimos 7 dias - e o último post que lá foi publicado é de Agosto de 2005. É verdade, 2005. Não tenho palavras...

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segunda-feira, setembro 04, 2006

Não gosto de segundas-feiras!


Não gosto de segundas-feiras e já detesto esta em particular. Só espero que o canalizador chegue depressa e, mais importante, que desentupa os canos depressa. Malditas casas antigas!

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quinta-feira, agosto 31, 2006

Este blog presta um Serviço Público!


Há dias apareceu aqui no RdM uma alma penada, danada para obter uma resposta que lhe poderia alterar a vida. É nestes momentos que se consubstancia, em algo concreto, o serviço público que constitui escrever num blog. A pergunta, um pouco encriptada para que o Google conseguisse encontrar mais resultados, era linear: "Sexo oral permitido adventistas".
Imaginei logo alguém - talvez mesmo um casal, devoto aos ensinamentos sagrados - a atravessar uma dolorosa crise existencialista de fé, com os joelhos vermelhos de tanto rezar, questionando os insondáveis caminhos divinos, até surgir uma ideia brilhante: "Vamos ao Google! Achas que é mesmo permitido, môr?".
Uma questão teológica, a finalizar: será que é permitido aos adventistas o uso de sapatilhas Puma?

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